
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros da economia brasileira inalterada em 15% ao ano.
O anúncio da decisão ocorreu nesta quarta-feira (28). A medida coincide com a expectativa da maioria dos especialistas de mercado, que projetavam a manutenção da taxa Selic pela quinta reunião seguida.
O comitê justifica a manutenção avaliando que "a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta" e projeta "em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião".
O Copom também destaca o cenário internacional. "O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais", argumenta o comunicado, avaliando a necessidade da cautela.
O patamar anual de 15% ao ano é o maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. De setembro de 2024 a junho do ano passado, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas cinco últimas reuniões.
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.
Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto — comprando e vendendo títulos públicos federais — para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.
Como funciona
Ao aumentar a taxa básica de juros, o Copom pretende conter a demanda aquecida, o que causa reflexos nos preços, pois os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Por isso, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Além da Selic, os bancos consideram outros fatores para definir os juros cobrados dos consumidores: risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas estão entre eles.
Quando a Selic é reduzida, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.
O Copom se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro.
No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.