
Em decisão desta quinta-feira (15), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. – novo nome da Reag Investimentos. Fundador da empresa, João Carlos Mansur foi alvo de mandados de busca e apreensão na quarta-feira (14).
Com sede em São Paulo, a Reag é investigada na segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que apura suposto esquema de fraudes financeiras ligado ao Banco Master.
Em nota, o Banco Central informou que a decisão é motivada por "graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)". A empresa foi enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial.
"O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais", diz a nota. Com a decisão, os bens de administradores e ex-executivos da Reag ficam indisponíveis e à disposição da Justiça.
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo nomeou como liquidante a APS Serviços Especializados de Apoio Adminitrativo Ltda., tendo como responsável técnico Antonio Pereira de Souza. Ele já trabalhou ao menos na liquidação do Banco Bamerindus.
"O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis", prossegue o comunicado.
Esquema com o Banco Master
Na quarta-feira (14), a Polícia Federal lançou a segunda fase da Operação Compliance Zero, apurando o esquema bilionário de fraudes financeiras do Banco Master por meio de fundos da Reag.
A investigação aponta que a Reag Investimentos foi parceira do Banco Master na administração de fundos monetários.
Ligação com o PCC
A Reag Investimentos também aparece na maior operação contra o crime organizado no Brasil, a Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025.
Segundo a investigação, o fundo de investimentos da Reag seria utilizado para a compra de empresas e usinas de álcool para blindar o patrimônio de envolvidos em esquema bilionário de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Leia a nota do Banco Central
"Banco Central decreta Liquidação Extrajudicial de Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários
O Banco Central do Brasil decretou nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (nova denominação de Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.), com sede em São Paulo (SP).
Trata-se de instituição enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, representando menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional.
A decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN.
O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição.
Brasília, 15 de janeiro de 2026.
Banco Central do Brasil
Assessoria de Imprensa"




