
A companhia aérea Gol informou neste domingo (25) que o vice-presidente do Conselho de Administração, Antonio Kandir, passa a exercer a função de presidente do colegiado de forma temporária. A mudança acontece após a morte do fundador da companhia, Constantino de Oliveira Junior, vítima de câncer, neste sábado (24).
"As operações, a estratégia e os compromissos da companhia permanecem inalterados e continuam sob a liderança dos seus diretores, membros do Conselho de Administração e demais integrantes da equipe executiva da companhia. Não há interrupção nas atividades diárias", afirma a empresa, em comunicado deste domingo à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Integrante de diversos órgãos da administração da Gol ao longo dos últimos anos, Kandir é reconhecido no Rio Grande do Sul em razão de uma lei com seu nome.
Lei Kandir
Antonio Kandir foi ministro do Planejamento no governo de Fernando Henrique Cardoso e, em 1996, propôs uma lei que isentava do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) as exportações de produtos primários e semielaborados, ou seja, não industrializados.
O ICMS é administrado pelos governos estaduais. Por isso, a Lei Kandir sempre provocou polêmica entre os governadores de Estados exportadores, como o Rio Grande do Sul, que alegavam perda de arrecadação devido à isenção do tributo.
Em 2017, pouco mais de 20 anos depois de a lei entrar em vigor, o RS calculava perda líquida de R$ 27 bilhões nesse período. Corrigido pela inflação, o prejuízo chegaria a R$ 45,5 bilhões.
Em 2020, Estados e municípios passaram a ser compensados pelas perdas. Somente no Rio Grande do Sul, o montante era calculado em R$ 6 bilhões até 2037.
Trajetória

Antonio Kandir é natural de São Paulo e tem 72 anos. Engenheiro e economista, integrou a equipe da ministra Zélia Cardoso de Mello, que promoveu o confisco da poupança, no governo Collor.
Kandir foi deputado federal de 1995 a 2003, pelo PSDB. O economista também faz parte de conselhos de administração de outras empresas.



