
Antes um artigo com aparições escassas e que despertava a curiosidade no trânsito, os veículos eletrificados já são figura comum nos grandes centros urbanos do país. E no Rio Grande do Sul, principalmente em Porto Alegre, isso não é diferente. Seja conduzidos por motoristas de aplicativo ou por usuários particulares, versões mini e SUVs aparecem com cada vez mais frequência nas ruas e avenidas.
Essa percepção é confirmada por dados de veículos em circulação no Estado. A frota de veículos eletrificados avançou 71% no Estado em um ano. Maior oferta de marcas e modelos, o que também torna os preços mais competitivos, e busca por maior tecnologia e economia no médio e longo prazo explicam esse movimento, segundo especialistas e usuários.
Em novembro de 2025, 37,5 mil veículos eletrificados circulavam pelo RS. No mesmo mês do ano passado, eram 21,9 mil, segundo dados do Departamento de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS). Ou seja, em um ano, a quantidade desse tipo de carro avançou 71%.
E a inserção desses carros puramente movidos a baterias ou híbridos na frota total também avança, mesmo que ocupando ainda uma fatia diminuta. O percentual desse tipo de automóvel no total de veículos do Estado passou de 0,28% para 0,47% no período. Os dados do Detran- RS levam em conta todos os portes de veículos, incluindo leves e pesados.
Thiago Sugahara, vice-presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), afirma que esse crescimento da frota responde a um cenário com mais opções de veículos e mudanças em regulação:
— A gente percebe uma mudança de comportamento a partir de 2023 diante de uma maior oferta de veículos eletrificados, com preços mais acessíveis. O mercado, o cliente brasileiro, tem feito essa transição do veículo tradicional a combustão por carros mais eficientes. Soma-se a isso também algumas boas políticas públicas, como a isenção do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) para os veículos eletrificados.
Busca por economia e tecnologia
Rodando diariamente cerca de 100 quilômetros, no deslocamento entre a casa, em Viamão, e o trabalho, em Canoas, o consultor Gilson Silva decidiu colocar na ponta do lápis os gastos com combustível e outros custos atrelados ao antigo veículo movido a combustão.
— Eu gastava em torno de R$ 1 mil por mês de gasolina, além de outros gastos, como troca de óleo. E tudo isso é um custo, relativamente alto, que eu não teria com o elétrico. Nem o combustível, nem o IPVA e nem a troca de óleo. Aí botei na balança e resolvi fazer a experiência — conta Silva, que comprou um BYD Dolphin Mini em janeiro de 2025.
O consultor destaca que o carro é espaçoso, conta com muita tecnologia embarcada e se destaca pela potência, principalmente na arrancada. Aprovando a experiência cerca de 11 meses após a aquisição, Silva agora estuda o próximo passo: pretende comprar um modelo maior.
Híbridos seguem ocupando maior fatia
Olhando os dados com maior detalhamento, os híbridos seguem com parcela maior dentro da frota de eletrificados, ocupando 66% do total. No entanto, essa parcela vem caindo ao longo dos últimos anos, com maior oferta de veículos 100% elétricos. O professor Antônio Jorge Martins, coordenador de cursos na área automotiva da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que os híbridos ainda são maioria, porque seguem sendo encarados como um modelo de transição para o público que busca a eletrificação:
— Foi uma forma encontrada pelos ofertantes de eventualmente criar uma etapa secundária a um passo posterior maior, que seria de veículos somente elétricos, que hoje estão num patamar de preço ainda elevado. Principalmente decorrente de nós não possuirmos em nível de mundo uma bateria definitiva.
Vendas em alta
- As vendas de veículos eletrificados também apresentam avanço no RS
- No acumulado de 2025 até novembro, o Estado emplacou 13.342 veículos leves eletrificados, segundo dados da ABVE.
- O montante representa um avanço de 63% ante as 8.179 vendas registradas no mesmo período do ano passado.
Futuro
O professor Antônio Jorge Martins afirma que a redução do preço dos veículos elétricos passa pelo estabelecimento de uma bateria mais definitiva, que exija menos pesquisa e desenvolvimento, o que hoje encarece muito o valor final desses modelos. Caso isso ocorra, somado a maior oferta de marcas e modelos, existirá espaço para maior inserção no mercado, avalia Martins:
— Somente teremos uma demanda mais significativa de veículos elétricos, possivelmente a preços menores, quando tivermos a redução do atual volume de recursos empregados em pesquisa e desenvolvimento de baterias, através do surgimento de baterias de estado sólido. Esse item possui menor necessidade de recargas e maior durabilidade.
O vice-presidente da ABVE destaca que, além de o mercado apresentar crescimento exponencial nas vendas nos últimos anos, a vinda de novas montadoras para o país abre espaço para continuidade da consolidação:
— Soma-se a isso também a chegada de novas montadoras no Brasil e o início da fabricação de veículos híbridos e elétricos aqui no país. Todos esses fatores devem auxiliar muito na tomada de decisão dos novos clientes, que têm optado por veículos eletrificados. A tendência é que a participação dos veículos híbridos e dos híbridos plug-in elétricos (com recarga externa) cresça.

