
Após dois meses sob bandeira vermelha patamar 1, um dos níveis mais caros do sistema, a conta de luz terá um alívio em dezembro. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou, no último sábado (28), que o mês passará a operar com bandeira amarela.
Isso reduz a cobrança extra de R$ 4,46 para R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos. A mudança ocorre em um cenário considerado positivo para a geração de energia devido à entrada do período chuvoso no país.
A Aneel destaca, porém, que essas chuvas previstas para dezembro estão abaixo da média histórica, e a operação das usinas termelétricas, mais caras do que as hidrelétricas, ainda é necessária para atender à demanda.
Ainda assim, o órgão aponta que as condições estão "um pouco mais favoráveis" do que nos últimos meses, o que permitiu o rebaixamento da bandeira. É a primeira vez desde 2019 que dezembro opera na cor amarela.
O que são as bandeiras tarifárias e por que a conta de luz em dezembro ficará mais barata?
Criado em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias foi desenvolvido para tornar mais transparente o custo real da energia. Antes disso, o consumidor só percebia variações quando ocorriam os reajustes anuais.
Hoje, as bandeiras funcionam como um aviso mensal sobre as condições de geração no país.
— O sistema de bandeiras tarifárias nada mais é do que um "semáforo". Ele indica o estágio da energia no Brasil e sinaliza quando o custo está mais alto. Quando acionamos a amarela ou a vermelha, isso mostra que o país está operando com energia mais cara — explica o engenheiro eletricista Alan Henn.
As bandeiras são definidas com base em informações do Operador Nacional do Sistema (ONS) e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que incluem nível dos reservatórios, previsão de chuvas, necessidade de acionamento de termelétricas e custo marginal de operação.
O que significa cada cor?
A lógica das bandeiras é simples e funciona como um termômetro das condições de geração:
🟢 Bandeira verde: não há cobrança extra. É o estágio de condições favoráveis, com reservatórios em situação confortável.
🟡 Bandeira amarela: sinaliza energia mais cara devido a condições menos favoráveis, como chuvas abaixo do previsto. Cobra R$ 1,88 por 100 kWh.
🔴 Bandeira vermelha patamar 1: indica cenário desfavorável e maior uso de termelétricas. Cobra R$ 4,46 por 100 kWh.
🔴 Bandeira vermelha patamar 2: é o nível mais crítico. Cobra R$ 7,87 por 100 kWh e significa pouca água nos reservatórios, além de necessidade grande de acionar energia térmica.
Por que em dezembro ficou mais barato?
Segundo a Aneel, a mudança para a bandeira amarela ocorre por três motivos principais:
- Período úmido: com a chegada do verão, aumenta a chance de recuperação dos reservatórios. A previsão de chuvas para dezembro é superior à registrada em novembro, embora siga abaixo da média histórica.
- Demanda menor: segundo Henn, o uso de ar-condicionado ficou abaixo do esperado em algumas regiões, reduzindo a pressão sobre o sistema.
- Ajuste no comportamento do consumidor: meses seguidos de bandeira vermelha estimularam maior racionalização no uso de energia em alguns lares.
Mesmo com a melhora, a Aneel ressalta que o cenário ainda não permite bandeira verde. A possibilidade dependerá da intensidade das chuvas no início de 2026.
"Essa expectativa de chuvas está, em geral, abaixo da sua média histórica para esse mês do ano. Diante de condições de geração de energia um pouco mais favoráveis, foi possível mudar da bandeira vermelha patamar 1 para amarela. Por isso, o acionamento das termelétricas continua sendo essencial para atender à demanda", informou a Agência.
O que mais pesa na conta do consumidor?
Entre todos os equipamentos das residências brasileiras, dois respondem por grande parte do consumo: o chuveiro elétrico e o ar-condicionado.
— São os dois principais vilões da conta de luz no Brasil. Juntos, representam de 20% a 30% do consumo de uma casa — explica o engenheiro.
Segundo Henn, em uma casa com quatro moradores, reduzir um minuto de banho por dia gera economia significativa ao longo do ano. Já no ar-condicionado, selecionar modos econômicos e ajustar a temperatura para níveis moderados ajuda a evitar desperdícios.

A eficiência dos eletrodomésticos também pesa. Geladeiras e aparelhos antigos consomem mais energia porque precisam de maior esforço para operar.
— Eles precisam "esquentar" muito para esfriar bastante. Mesmo com manutenção, continuam menos eficientes do que modelos novos — explica Henn.
A condição da instalação elétrica é outro ponto de atenção, já que fiações antigas ou fora das normas podem puxar carga excessiva.
— Isso faz com que a residência use mais energia do que deveria para entregar o mesmo resultado — afirma.
Por fim, vale ressaltar que equipamentos vendidos no país contam com selo de eficiência energética, que classifica o desempenho. Selos A são os mais econômicos; selos B, C ou D indicam maior consumo.
Como calcular a diferença?
O impacto das bandeiras tarifárias depende exclusivamente do consumo mensal de energia, medido em quilowatt-hora (kWh).
Para entender quanto a mudança de bandeira altera a conta, basta seguir três passos:
1) Verifique o consumo do mês
O valor aparece destacado na fatura, geralmente no topo, como "Consumo do período".
- Exemplo: 200 kWh.
2) Confira qual é a bandeira vigente
Para dezembro, a Aneel aplicou bandeira amarela (R$ 1,88 a cada 100 kWh). Em novembro, vigorava a vermelha patamar 1 (R$ 4,46 por 100 kWh).
3) Multiplique o consumo pelo valor adicional da bandeira
Transforme o valor por 100 kWh em valor unitário e aplique ao consumo total:
Na bandeira vermelha patamar 1:
- R$ 4,46 / 100 = R$ 0,0446 por kWh
- 200 kWh × R$ 0,0446 = R$ 8,92 de acréscimo
Na bandeira amarela:
- R$ 1,88 / 100 = R$ 0,0188 por kWh
- 200 kWh × R$ 0,0188 = R$ 3,76 de acréscimo
Diferença: R$ 8,92 – R$ 3,76 = R$ 5,16 a menos na conta de luz apenas com a mudança da bandeira.
Mitos e verdades sobre economia de energia
Consumir de madrugada é mais barato?
É mito. A tarifa residencial não varia conforme o horário.
— Muita gente acha que mudar o horário reduz a conta, mas isso não funciona. A tarifa é a mesma em qualquer hora do dia — diz Henn.
Lâmpada fluorescente sempre economiza mais do que LED?
É mito. Fluorescentes já foram alternativas econômicas, mas hoje o LED é muito mais eficiente, dura mais tempo e consome menos.
Deixar a geladeira cheia ajuda a economizar energia?
É verdade. Geladeiras funcionam melhor quando estão preenchidas de forma organizada. O ar frio circula com mais estabilidade, e o motor trabalha menos para manter a temperatura.
Reduzir o tempo de banho ajuda muito?
É verdade. O chuveiro responde por grande parte do consumo, e pequenos ajustes têm impacto real.
Manter equipamento antigo com manutenção resolve?
É mito. A revisão ajuda, mas não transforma o aparelho. Equipamentos antigos continuam gastando mais.
Ar-condicionado pode ser mais eficiente?
É verdade. Modos econômicos e temperaturas mais altas diminuem o consumo.
Limpar filtros e serpentinas do ar-condicionado reduz o consumo?
É verdade. Filtros sujos fazem o aparelho trabalhar com mais esforço. A manutenção regular é uma das formas mais eficazes de reduzir a fatura em meses quentes.
Instalações antigas desperdiçam energia?
É verdade. Revisar a fiação evita perdas e melhora o desempenho geral da casa.





