
Reunido desde terça-feira (9), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) define, nesta quarta (10), o valor da taxa Selic. O resultado da última reunião do colegiado em 2025 será divulgado no final da tarde de hoje, por volta de 18h30min.
O mercado espera que o juro básico permaneça em 15% ao ano — projeção expressada por operadores do setor financeiro no boletim Focus, do BC, divulgado na segunda (8).
Para o analista Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o Copom deve preservar a "estratégia de prudência" diante de fatores como a desaceleração da atividade econômica e o mercado de trabalho resiliente. A pressão do juro para conter a inflação, como aconteceu ao longo do ano, também está em jogo.
— O comunicado deve vir com tom firme, reiterando a necessidade de manter a política monetária em patamar contracionista por um período bastante prolongado — diz Sung.
Também nesta quarta, o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, decide o patamar do juro nos Estados Unidos. A expectativa é de que a entidade realize mais um corte de 0,25 ponto percentual, mantendo a taxa básica no intervalo entre 3,5% e 3,75%. A coincidência das divulgações das taxas de juro nos EUA e no Brasil rende o apelido de "superquarta".
— Esta superquarta não é sobre "virada de ciclo", mas sobre expectativas. Um Fed entregando corte com possivelmente um discurso duro e um Copom mais rígido que flexível podem trazer volatilidade no curto prazo — analisa José Aureo Viana, economista, sócio e assessor da Blue3 Investimentos.
Possível recuo em 2026
No boletim Focus, o mercado enxerga a possibilidade de redução do juro apenas em 2026, com a previsão de encerramento do próximo ano com a Selic em 12,25%.
— Nossa expectativa é de um primeiro corte da taxa de juro em março de 2026, com ajustes na comunicação já na reunião de janeiro — afirma Sung, da Suno Research.
Uma pesquisa com economistas, realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), projeta redução de 0,25 ponto percentual na Selic mais cedo, já em janeiro. Ainda no primeiro semestre, são previstas três quedas consecutivas de 0,5 ponto, seguidas de outros cortes, levando o juro a 12%.
— Nossa avaliação é de que há um espaço considerável para o Banco Central cortar os juros ao longo de 2026 diante de uma atividade que já vem demonstrando desaceleração, como mostrado no resultado do PIB do terceiro trimestre, e com menos incertezas em relação às questões tarifárias com os EUA — afirma David Beker, vice-coordenador do Grupo Consultivo Macroeconômico da Anbima.
No Estado, a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) mostrou projeção menos otimista para o juro em 2026. O economista-chefe da Fiergs, Giovani Baggio, projeta a Selic em 13,25% ao fim do próximo ano, indicador acima das estimativas do mercado.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, se diz "confiante" na redução da Selic.
— A indústria é a mais afetada pela taxa de juros muito alta. Acredito que vai começar a cair a taxa de juro, se não agora, na próxima reunião — afirmou Alckmin em entrevista ao canal do jornalista Reinaldo Azevedo no YouTube.
O vice-presidente justificou a expectativa diante da queda do dólar e da "supersafra" agrícola em 2025, com impacto no preço dos alimentos.
— O juro caindo, a economia floresce mais rápido — disse Alckmin.





