
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (14) uma ordem executiva para reduzir as tarifas sobre importações agrícolas, como carne bovina, banana, café, açaí e tomate. A decisão ocorre em meio à pressão para que o governo reduza o custo de vida dos norte-americanos. Ainda não se sabe o percentual de redução das importações.
A ordem executiva estipula que certos produtos agrícolas serão isentos das tarifas "recíprocas" impostas neste ano.
De acordo com g1, o o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua, confirma que a tarifa será reduzida em 10 pontos percentuais aos produtos brasileiros ficando em 40%.
O país é o maior fornecedor de café para os Estados Unidos e um dos principais de carne — produtos que enfrentam alta nos preços, o que pressionou o governo de Trump.
Em agosto, Trump impôs ao Brasil tarifas de 50%, entre as mais altas do mundo, sobre boa parte dos produtos brasileiros usando como justificativa o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro na trama golpista.
A medida atingiu produtos como o café, cujo preço aumentou 21% em 12 meses em agosto nos Estados Unidos.
Entre os produtos incluídos na ação estão
- Açaí
- Banana
- Café
- Carne bovina
- Castanha-do-Brasil / Castanha-do-Pará
- Frutas tropicais (banana, manga, mamão, abacaxi)
- Suco de laranja
- Tomates
No documento, o republicano afirma que outras mudanças não estão descartadas.
As medidas se aplicam retroativamente a partir das 2h01min (horário de Brasília) desta quinta-feira (13). De acordo com Trump, haverá reembolso para a taxação no período, mas o documento não específica como acontecerá.
Negociações entre Brasil Estados Unidos
O governo brasileiro estava intensificando a articulação com os norte-americanos em busca de flexibilização do tarifaço. Em outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Donald Trump para tratar do tema. Na ocasião, os dois citaram "boa química".
Na quinta-feira (13), o chanceler Mauro Vieira voltou a se reunir com seu homólogo norte-americano, Marco Rubio. Vieira afirmou que Brasil e Estados Unidos estavam avançando em um acordo provisório para desbloquear as relações bilaterais. O encontro aconteceu às margens da cúpula do G7, no Canadá.
Em um breve comunicado, o Departamento de Estado americano indicou que Rubio e Vieira "discutiram sobre um quadro mútuo para a relação comercial" bilateral.
Tarifas recíprocas
Trump emitiu em 2 de abril um decreto que modificou substancialmente a política comercial americana, ao impor tarifas aduaneiras mínimas de 10%, pois - em sua opinião - o déficit comercial constituía "uma ameaça incomum e extraordinária para a segurança nacional e a economia dos Estados Unidos", lembrou a Casa Branca em um comunicado.
A essa tarifa mínima foram adicionadas sobretaxas específicas a países e produtos.
O Tesouro americano começou a fazer arrecadações substanciais, mas ao mesmo tempo, a inflação tem ganhado impulso no país.
Após uma primeira revisão em 5 de setembro, Trump agora considera que "a demanda interna atual de certos produtos e a capacidade interna para produzir certos produtos" obriga voltar a reduzir as tarifas.
Pesquisas mostram que o custo de vida é mencionado pelos americanos como uma de suas principais preocupações.
Associação de carnes comemora a medida
A medida foi comemorada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Em nota, a entidade afirma que a decisão dos EUA "reforça a confiança no diálogo técnico entre os dois países e reconhece a importância da carne do Brasil".
Leia a nota na íntegra
"A decisão norte-americana fortalece essa relação e abre espaço para uma retomada mais equilibrada e estável das vendas. A indústria brasileira seguirá trabalhando em cooperação com autoridades brasileiras e americanas para ampliar oportunidades e consolidar o Brasil como parceiro confiável e competitivo no cenário internacional.
A medida reforça a confiança no diálogo técnico entre os dois países e reconhece a importância da carne do Brasil, marcada pela qualidade, pela regularidade e pela contribuição para a segurança alimentar mundial. A redução tarifária devolve previsibilidade ao setor e cria condições mais adequadas para o bom funcionamento do comércio".


