
Daniel Vorcaro, 42 anos, presidente do Banco Master, preso nesta terça-feira pela Polícia Federal, construiu sua carreira no mercado financeiro oposta à dos banqueiros tradicionais, que costumam ser discretos. Sua vida de ostentação viralizou em redes sociais. No ramo imobiliário, comprou uma casa em Trancoso, na Bahia, por cerca de R$ 280 milhões, promoveu uma festa de milhões para os 15 anos de uma das filhas e investiu R$ 300 milhões no Atlético Mineiro, tornando-se dono de 26% da SAF do time. A origem desses recursos é alvo de investigação por possível conexão com o PCC.
Sua entrada no setor bancário ocorreu em 2016, quando adquiriu participação no Banco Máxima, então em dificuldades. Em 2018, assumiu o controle e, em 2021, rebatizou a instituição como Banco Master. A partir daí, fez aportes bilionários e adquiriu empresas como a seguradora Kver, o banco Voiter (ex-Indusval), Vipal, Banif Brasil e o banco digital Will Bank, comprado em 2024, com mais de 6 milhões de clientes.
Filho de Henrique Vorcaro, fundador da construtora Multipar, Daniel sempre destacou que não fazia parte da elite mineira, apesar de ter estudado na Fundação Torino, colégio tradicional da capital mineira. Jovem, chegou a ganhar bolsa para estudar na Itália, mas preferiu cursar Economia no Ibmec, onde também fez MBA em Finanças.
Com a primeira esposa, teve dois filhos: Stella e Tiziano. Após o divórcio, passou a namorar a influenciadora Martha Graeff.
Banco Master: estratégia Agressiva
O Master cresceu captando recursos com rentabilidade alta (CDBs a 140% do CDI garantidos pelo FGC para varejo) e comprando ativos de risco ou ilíquidos (participações em empresas com problemas), gerando um descasamento entre compromissos e capacidade de recuperação.
A estratégia do Master era focada na aquisição de ativos complexos ou de baixa liquidez (como precatórios e direitos creditórios) e captação de recursos com taxas acima da média do mercado.
O colapso e as investigações
A história do Master chegou ao fim após meses de crise e tentativas frustradas de venda. As negociações para a venda ao estatal Banco de Brasília (BRB), defendida publicamente por figuras políticas (como o governador Ibaneis Rocha), enfrentaram forte resistência do Banco Central.
A estratégia de captação do Master expôs fundos de pensão estaduais e municipais (como o RioPrevidência), que detinham R$ 3 bilhões em papéis sem garantia do FGC, a um risco de calote.
Liquidação e Prisão
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master. No mesmo dia (18), a Polícia Federal prendeu Vorcaro ao tentar fugir para o Exterior. A Operação Compliance Zero investiga crimes como gestão fraudulenta e criação de carteiras de crédito fictícias.


