
Com o mercado de locação ainda aquecido diante de entraves para a compra da casa própria, quase metade das pessoas que moram de aluguel no Rio Grande do Sul quer se mudar nos próximos meses. Esse desejo nasce, principalmente, de questões ligadas a alterações na composição familiar e de renda, segundo pesquisa da Loft em parceria com a Offerwise.
A pesquisa “Raio X do aluguel no Brasil”, promovida pela empresa que une tecnologia e serviços financeiros para imobiliárias, aponta que 46% dos gaúchos que moram de aluguel pretendem se mudar nos próximos meses. Este percentual está acima da média nacional, que é de 41%.
A pesquisa foi feita nos seguintes moldes:
- Ouviu 1,3 mil pessoas em todas as regiões do país, entre 26 de setembro e 6 de outubro de 2025
- A amostra representa os inquilinos brasileiros com representatividade para os maiores Estados, como o Rio Grande do Sul
- No RS, ouviu 300 pessoas em 39 municípios
Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, afirma que o preço e a condição do imóvel estão no topo dos movimentos que acendem a vontade de um novo local para morar. A pesquisa mostra que o motivo mais citado entre os inquilinos do Estado foi encontrar um imóvel com mais espaço (29%). Na sequência aparece o valor atual do aluguel pago (26%).
— A minha leitura é de que eles querem que o próximo imóvel seja melhor ou mais barato, muito mais do que o atual imóvel esteja ruim. As opções que as pessoas citam são muito mais pensando num imóvel melhor para a próxima etapa da vida do que com problemas muito importantes no atual. Não é que as pessoas estejam insatisfeitas com seus próprios imóveis em geral, do ponto de vista físico, de estrutura.
O professor Alberto Ajzental, coordenador do curso de Negócios Imobiliários da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que esses desejos estão diretamente ligados ao ciclo de vida das pessoas.
— Se você tem crescimento de renda e estabilidade, você tem algumas coisas que podem acontecer. Ele pode de forma aspiracional, desejar uma área maior, uma melhor localização ou um imóvel mais novo. Então, olha que interessante, as variáveis do ciclo de vida de uma pessoa ou família influenciam as variáveis do bem locado — comenta o especialista.
Custo pressiona mais os jovens
Sobre o motivo mais citado na pesquisa — a busca por um local com mais espaço —, o gerente de dados da Loft afirma que a pesquisa identificou que mulheres com filhos estão entre os principais perfis nesse grupo.
Já no grupo que indica o valor muito alto do aluguel atual como principal motivo, Takahashi observa que os jovens aparecem com força:
— Tem um fator interessante. Quem está mais preocupado, quem mais reclama, digamos assim, do preço do imóvel são os mais jovens. A nossa hipótese é de que é um pessoal que ainda está entrando nesse processo, do primeiro aluguel. Então, ela está entendendo ainda como é que essa capacidade de pagamento que ela tem, como são as taxas e o próprio valor de outras despesas.
O coordenador do curso de Negócios Imobiliários da FGV lembra que os jovens também costumam estar em início de carreira e contar com salários mais baixos. Com isso, qualquer aumento de despesa ou custos fora do planejado acabam influenciando no corte de gastos e economia.
— Quanto mais jovem, você eventualmente tem uma menor renda. Na medida que você entra nessa faixa que mais deseja mudar de unidade e a renda não sobe na mesma proporção da sua despesa, você acaba tendo que fazer um downgrade — diz o docente.
- A pesquisa apura o sentimento de pessoas que moram de aluguel e têm o desejo de mudar, seja para outro imóvel alugado ou casa própria
- No RS, dos que têm intenção de se mudar, a maioria (68%) pretende seguir alugando; 2% planejam viver em imóveis cedidos e 26% querem se mudar para imóveis próprios
- As mulheres se destacam no movimento para seguir na compra de imóvel, com 41% das inquilinas apresentando essa intenção
- Já 82% dos homens desejam seguir morando de aluguel
Mercado de locação aquecido
Com o juro limitando o acesso ao financiamento imobiliário e falta de funding para novas operações, uma parcela de potenciais compradores não consegue adquirir a casa própria. Com isso, o mercado de aluguel segue aquecido, o que limita a disponibilidade de locais para locação, segundo especialistas.
— Quem compra a casa própria compra duas coisas: o imóvel e o financiamento. Se os dois estão mais caros, a compra do imóvel fica mais distante. Então, enquanto você tá pagando o aluguel, você não consegue ter a capacidade e as condições de reunir recursos ainda para dar de entrada no apartamento. Por isso que o mercado de aluguel está aquecido e está pegando principalmente a classe média, que tem uma renda limitada e sofre com a parcela do aluguel, com o custo de construção, com o aumento da taxa de juros — explica o professor Alberto Ajzental.


