
O último trimestre é muito aguardado pelos lojistas e varejistas em geral, em razão da expectativa relacionada às compras de fim de ano. Para dar conta do aumento da demanda, é comum que comerciantes contratem trabalhadores temporários. Neste ano, conforme pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), 53,3% dos estabelecimentos do setor projetam reforçar as equipes desta forma nestes meses.
O levantamento da Fecomércio foi realizado entre 1º e 13 de setembro. Foram consultados 722 estabelecimentos, nas cidades de Porto Alegre, Passo Fundo, Caxias do Sul, Pelotas, Santa Cruz do Sul, Ijuí, Santa Maria e Uruguaiana.
O número de 53,3% de lojistas e comerciantes pretendendo contratar trabalhadores temporários neste último trimestre de 2025 representa um aumento em relação aos últimos anos. Em 2023, a projeção era de 44%, enquanto em 2024 foi de 46% (veja no gráfico mais abaixo).
— As vendas de final de ano são muito importantes para os comerciantes, principalmente nos segmentos que chamamos de "presenteáveis", que acabam tendo uma sazonalidade muito forte. Por isso, a gente observa um aumento de demanda muito significativo no último trimestre do ano e, para atender a esse movimento, ocorrem as contratações de trabalhadores temporários — destaca Patrícia Palermo, economista-chefe da Fecomércio-RS.
Conforme os dados da pesquisa, 39,5% dos trabalhadores temporários contratados neste último trimestre devem iniciar as atividades até o fim de novembro, principal mês de contratações do período. Por outro lado, 45,7% dos contratos devem se encerrar já em janeiro.
Em média, a contratação de temporários representa incremento de 29,3% na força de trabalho dos estabelecimentos que realizarão contratações neste formato. Contudo, em algumas operações, esse número pode ser ainda maior.
É o caso da Loja Sasso - Moda Feminina, uma das empresas que vai reforçar o quadro de colaboradores neste fim de ano. A rede tem cinco unidades, todas em Porto Alegre. Em cada uma, trabalham normalmente dois funcionários: um vendedor e um gerente. No fim do ano, entretanto, as equipes podem aumentar em até 50%.
— Normalmente, no último trimestre, a gente contrata pelo menos mais um vendedor para cada loja, passando de duas pessoas para três em cada unidade. Principalmente, o mês de dezembro, pelo Natal, é o período mais movimentado, e a gente precisa desse reforço — afirma Pedro Sasso, um dos sócios da rede.
Principal busca é por vendedores
A grande maioria das lojas busca trabalhadores que atuem com vendas ou outras atividades comerciais. Dos estabelecimentos que terão temporários, entre os pesquisados pela Fecomércio, 90,1% têm demanda nestas funções.
Na sequência, a maior necessidade é por operadores de caixa e crediário, para 23,9% dos estabelecimentos. Veja os dados no gráfico abaixo:
Mais um dado de destaque do levantamento é que somente 59% dos estabelecimentos ofertando vagas temporárias fará algum tipo de exigência para os candidatos — este número era de 68,1% em 2024. Atualmente, a maior demanda é relacionada a grau de instrução e escolaridade (38,7%). Dentro deste grupo, 89,9% dos empresários selecionam candidatos com no mínimo o Ensino Médio completo.
A outra exigência mais feita pelos contratantes é experiência (25,7%), seguida por idade (23,1%). Para os empresários que têm a idade do candidato como ponto de interesse, 70,8% buscam trabalhadores que tenham entre 19 e 25 anos.
— As vagas temporárias no comércio, principalmente agora neste fim de ano, que tem Black Friday e o Natal, são ótimas oportunidades para o trabalhador que está desocupado voltar ao mercado formal, ou mesmo para o jovem buscar uma primeira experiência de emprego — analisa o diretor-presidente da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), José Scorsatto.
Já entre as principais dificuldades enfrentadas pelos estabelecimentos para concretizar as contratações, a indisponibilidade de horários dos candidatos é o principal apontamento (26%). Na sequência, estão a falta de qualificação (22,9%) e a falta de interessados nas vagas oferecidas (20%).
— A gente observa uma diminuição nas exigências para contratações de temporários. Com a atual baixa taxa de desocupação que observamos no mercado, há menos trabalhadores disponíveis para contratação, então, quando há uma escassez, é natural que as empresas façam menos exigências, e aí, ter o Ensino Médio completo, ou qualquer tipo de experiência prévia, se transformam em diferenciais valorizados — reforça Patrícia Palermo.
Possibilidade de efetivação está maior
Outro dado que chama a atenção na pesquisa da Fecomércio é o aumento da possibilidade de efetivação dos temporários contratados neste ano. Conforme as expectativas dos empresários do setor, 48,8% destes trabalhadores podem seguir nas vagas após o final do contrato temporário. Esta projeção foi de 32,6% em 2023, e somente 28,6% em 2024.
— Como muitos empregadores estão com dificuldades de preencher vagas de trabalho, essa é uma tendência que deve crescer, caso o trabalhador consiga desempenhar bem a função — ressalta o diretor-presidente da FGTAS, José Scorsatto.
Conforme levantamento da FGTAS, há cerca de 880 vagas atualmente abertas no Sistema Nacional de Emprego (Sine) para trabalhadores temporários atuarem nos setores de comércio e serviços do RS — ainda mais postos devem ser abertos até o fim de novembro e ao longo de dezembro.
Menos vagas
O aumento no número de empresas que pretendem contratar temporários em 2025 pode não se refletir diretamente no volume de contratações. Isso porque 24,9% os estabelecimentos ouvidos pela Fecomércio estimaram que vão contratar um número menor de trabalhadores por este formato neste ano. Por outro lado, 58% dos comerciantes projetam contratar o mesmo número de temporários e 14,6% indicam que abrirão mais vagas.
Outro 1,1% deve fazer um número muito maior de contratações, e 1,4%, um número muito menor. De forma geral, a Fecomércio estima que as contratações de temporários neste ano representem cerca de 94% do realizado no mesmo período em 2024.
— A gente teve um pico de contratações para o comércio a partir do último ano, então a força de trabalho permanente, de forma geral, cresceu, e hoje a gente conta com mais trabalhadores na força habitual. Então, talvez por isso, e por mais que mais empresas tenham manifestado a intenção de contratar colaboradores temporários, o incremento necessário seja menor — aponta a economista Patrícia Palermo.
Alta em Porto Alegre
No comércio de Porto Alegre, o Sindilojas projeta que 8.680 trabalhadores temporários serão contratados neste fim de ano. Em 2024, foram 7 mil.
— As empresas que pretendem contratar temporários estão ampliando o volume de admissões: a média subiu para 2,8 contratações por loja, contra 2,6 no ano passado. Esse movimento reflete tanto a normalização do comércio quanto a necessidade de reforço das equipes para atender a demanda de fim de ano — analisa Arcione Piva, presidente do Sindilojas Porto Alegre.
No dia 14 de novembro, a entidade estimou que havia 4.760 vagas temporárias abertas ou que ainda seriam oferecidas até o fim do ano no comércio de Porto Alegre. "A maioria das contratações, cerca de 54%, deverá ocorrer entre a primeira quinzena de novembro e a segunda quinzena de dezembro", disse, em nota, o Sindilojas.
Também na Capital os cargos mais buscados são:
- vendedor
- caixa
- estoquista
- auxiliar de vendas
- empacotador
A principal exigência é a disponibilidade de horários. "Questões comportamentais estão mais valorizadas que as de experiência", registrou o sindicato dos lojistas.


