
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso na noite de segunda-feira (17) pela Polícia Federal. Ele estaria no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo (SP), tentando embarcar para o Exterior em um avião particular no momento da prisão.
Ação faz parte da Operação Compliance Zero, que apura a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Ao todo, são cumpridos sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão nos Estados de Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.
De acordo com o g1, a prisão de Vorcaro foi antecipada diante do risco de fuga do banqueiro, que teria planejado deixar o país após o anúncio de compra do Master pelo Grupo Fictor na segunda-feira. Segundo a Folha de S.Paulo, o sócio de Vorcaro, Augusto Lima, também foi preso na ação.
A operação resultou também no afastamento do cargo do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A ordem de afastamento foi proferida pela Justiça Federal de Brasília, que autorizou o cumprimento de busca e apreensão contra o presidente do banco estatal do governo do Distrito Federal. Os investigadores chegaram a solicitar a prisão dele, mas a Justiça não autorizou a medida.
Vorcaro, 41 anos, começou no Banco Master em 2016. Ele era conhecido por ostentar comprando imóveis, como uma mansão em Orlando, nos Estados Unidos, no valor de US$ 37 milhões, e fazendo festas milionárias.
A investigação foi motivada por um requerimento do Ministério Público Federal (MPF) de 2024. Foi apurada uma possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira, que após fiscalização pelo Banco Central, teriam sido vendidos a outro banco e substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.
Suspensão da compra
O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master nesta terça-feira, menos de um dia depois de o Grupo Fictor ter indicado o interesse em comprar a instituição. Segundo pessoas que acompanham o tema de perto, a liquidação acaba com a possibilidade de o acordo avançar.
A medida foi assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo. Pelo termo, também fica sob liquidação judicial a Master SA Corretora de Câmbio. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada liquidante, com amplos poderes de administração e liquidação.
A liquidação judicial do Master entrou no radar do mercado desde setembro, quando o BC negou a autorização para o Banco de Brasília (BRB) adquirir a companhia. O modelo de negócios do Master era considerado problemático, já que o banco emitia papéis garantidos pelo FGC e pagava taxas muito acima do mercado.
A medida dá fim a um processo acelerado de crescimento do Master, que foi baseado em dois pilares: a captação de recursos pagando a investidores juros muito acima da média do mercado e a compra de ativos com baixa liquidez, como empresas com problemas financeiros, precatórios e direitos creditórios.
O que é a liquidação?
A liquidação extrajudicial é um regime de resolução à disposição do BC para lidar com problemas graves em instituições financeiras, a fim de manter a estabilidade do sistema. A medida interrompe o funcionamento da instituição, retirando-a do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Isso significa que o banco fecha, deixa de funcionar.
Esse regime é adotado quando a situação de insolvência — ou seja, de endividamento — é irrecuperável ou quando forem cometidas graves infrações às normas que regulam a sua atividade. O BC nomeia um liquidante, que buscará a venda dos ativos existentes para viabilizar o pagamento que for possível aos credores.
Também é acionado o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), uma espécie de "seguro" aos investidores e correntistas contra calotes. O FGC garante o pagamento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição bancária. Não há prazo determinado para o encerramento da liquidação: ela termina por decisão do Banco Central ou pela decretação da falência da instituição.


