
Comprar um iPhone no Brasil pode significar comprometer quase um trimestre inteiro de trabalho. Isso porque, de acordo com um levantamento do World of Statistics, um brasileiro que recebe um salário mínimo precisa de 77 jornadas para pagar o novo iPhone 17 Pro, lançado em setembro por R$ 11.499.
Não é uma novidade que o iPhone vendido no Brasil é um dos mais caros do mundo, e a resposta para isso não está somente na simples conversão do câmbio. Especialistas apontam uma equação que envolve impostos, custos logísticos, margens globais da Apple e até riscos de distribuição no mercado interno.
— Podemos dizer que pelo menos metade do preço final de um iPhone no Brasil deve corresponder a tributos diretos e indiretos — explica Pedro Adamy, professor de Direito Tributário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Quantos dias de trabalho cabem em um iPhone?
O levantamento, que comparou o poder de compra em 33 países, ajuda a dimensionar a diferença. No Brasil, são necessários 77 dias de trabalho, para um trabalhador que recebe um salário mínimo, comprar o iPhone 17 Pro de 256 GB, vendido a R$ 11.499. Já para a versão de 1 TB, que custa R$ 14.499 — neste caso, o número de dias trabalhados subiria para 98.
Em Luxemburgo e na Suíça, que lideram a lista, o mesmo modelo pode ser comprado, em média, após três dias de jornada. Nos Estados Unidos, a conta fecha em quatro dias. Países europeus como Bélgica, Dinamarca, Holanda e Noruega também aparecem com índices baixos, exigindo quatro dias de trabalho.
O Brasil ocupa a 29ª colocação entre os países avaliados, atrás de vizinhos como Chile (32 dias) e até Portugal (24 dias).
Metade do valor é imposto
Para o professor de Direito Tributário, pelo menos metade do valor final do iPhone no Brasil corresponde a tributos diretos e indiretos.
— A gente tem incidência de tributos federais, imposto de importação e IPI na importação. Vai ter também as contribuições sobre a receita das empresas que importam e comercializam, e ainda o ICMS, que é estadual. Então, já de cara a gente tem uma incidência múltipla de tributos federais e estaduais que encarecem o produto — detalha.
A conta, segundo ele, pesa ainda mais porque parte desses tributos incide sobre o faturamento e não sobre o lucro:
— O PIS e a Cofins são exemplos. Mesmo que uma empresa tenha prejuízo, se ela movimenta muito, vai pagar. Como os eletrônicos têm alto valor agregado, a tributação se torna proporcionalmente mais elevada.

Além da carga tributária, há outros elementos que ajudam a colocar o Brasil entre os países mais caros para comprar um iPhone. O câmbio é um deles: como os contratos de importação são fechados em dólar, o produto se torna sensível a qualquer oscilação da moeda.
— É caro fazer a logística de produtos eletrônicos de alto valor. A gente tem custos com segurança que, para usar o exemplo da Suíça, certamente não incidem lá. Eu desconheço notícias sobre caminhões ou contêineres de iPhones sendo roubados na Suíça, e a gente sabe que isso acontece no Brasil — explica.
Outro ponto é a política de margens adotada pelas próprias empresas. Isso porque elas costumam aplicar percentuais semelhantes em todo o mundo, mas no Brasil os custos de operação tornam essa margem ainda mais pesada para o consumidor.
— A Apple, por exemplo, trabalha com margens globais, mas os encargos trabalhistas, o valor de aluguel e outras despesas são mais altos aqui do que em outros países. Isso pressiona ainda mais o preço final — acrescenta.
Uma herança de impostos altos
A dificuldade para comprar um iPhone no Brasil, segundo ele, também tem raízes históricas. O país sempre manteve tributação elevada sobre produtos industrializados, e os eletrônicos estão entre os mais atingidos:
— Historicamente, tivemos uma disparidade entre a tributação de serviços, que era mais baixa, e a de produtos industrializados, que sempre foi mais alta. A reforma tributária busca, em alguma medida, corrigir essa assimetria.
Na prática, isso significa que o Brasil tributa grandezas que não necessariamente representam riqueza. Empresas que movimentam produtos de alto valor agregado, como os smartphones, acabam pagando muito mais, mesmo que não registrem grandes margens de lucro.
— Uma companhia que venda 100 iPhones a R$ 14 mil cada terá uma receita milionária. O PIS e a Cofins vão incidir sobre esse valor, ainda que o lucro seja pequeno — exemplifica o professor.
Há, no entanto, mecanismos criados para tentar atenuar o peso dos impostos. O principal deles é a Zona Franca de Manaus, que oferece incentivos fiscais para a produção e montagem de eletrônicos.
Nesses casos, tributos federais como o IPI, o PIS e a Cofins podem ser zerados, o que reduz substancialmente o custo de fabricação. Esse benefício, porém, não alcança o iPhone, que continua sendo importado pronto.
— A Zona Franca é um dos instrumentos mais importantes de redução de custos para produtos industrializados. Mas, no caso do iPhone, não há produção nacional. O que existe é apenas a revenda, sem acesso às vantagens fiscais da região — explica o professor.
Sai mais barato importar para o Brasil?

A ideia de viajar ao exterior para comprar um iPhone sempre circulou entre consumidores brasileiros — e muitas vezes não era só um mito. Com a diferença de preços, havia quem garantisse que sairia mais barato ir aos Estados Unidos para adquirir o aparelho do que comprar no mercado nacional.
Na prática, importar por conta própria é possível, mas não necessariamente compensa. Adamy lembra que os tributos continuam existindo, ainda que em menor escala:
— O consumidor pessoa física que traz o iPhone do exterior também paga impostos. Há incidência de imposto de importação, IPI e ICMS. A diferença é que não haverá PIS e Cofins, que pesam mais para empresas. Ainda assim, a economia é limitada.
Há, ainda, regras que precisam ser observadas. A Receita Federal permite a entrada de um celular por viajante, desde que declarado como de uso pessoal. Mais de um aparelho, ou modelos lacrados, podem ser enquadrados como importação irregular e gerar cobrança de imposto extra ou até multa.
Além disso, a compra internacional envolve outras variáveis: câmbio, IOF, eventuais taxas locais e a ausência de facilidades como garantia nacional, parcelamento ou suporte em assistência autorizada.
— Às vezes há acordos comerciais entre a fabricante e o distribuidor no Brasil que impedem a importação por conta própria. Mas, em tese, é possível. O fato é que os tributos vão ser pagos da mesma forma — diz Adamy.
O iPhone pode ficar mais barato no Brasil?
Quem espera que os preços de novos iPhones no Brasil despenquem em breve pode se decepcionar. De acordo com o professor, no curto prazo não deve haver mudanças: os tributos que mais pesam sobre os eletrônicos continuam em vigor, e a reforma tributária só terá efeito prático muitos anos à frente.
— No curto prazo, seguirá tudo igual. A reforma só será 100% implementada em 2033. Até lá, o consumidor não deve esperar uma redução significativa de preços — afirma.
A nova lei substitui cinco tributos atuais por dois: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), administrada pela União, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de Estados e municípios. A expectativa é que, a partir dessa consolidação, produtos industrializados como smartphones passem a ter uma tributação mais equilibrada, aproximando-se do padrão aplicado a serviços.
— É um exercício de futurologia, mas se pode dizer que o potencial é positivo. Em tese, o prognóstico é bom para a redução no preço desses produtos. É claro que isso depende de outros fatores, mas a tendência é positiva — avalia.
Até lá, a única variável que pode reduzir o preço é o câmbio. Se o dólar cair, os contratos de importação ficam mais baratos e esse alívio pode, quem sabe, chegar ao consumidor.
— Uma queda acentuada do dólar ou um ganho de produtividade gigantesco na produção, como de processadores, poderia impactar os preços. Mas isso tudo não tem acontecido, a gente não ouviu nada nesse sentido. Então, tirando o fator cambial, o resto permanece igual — observa o especialista.
As novidades da linha iPhone 17
A nova geração chegou com quatro modelos: iPhone 17, iPhone 17 Air, iPhone 17 Pro e iPhone 17 Pro Max. A principal aposta está no design renovado, nas melhorias de câmera e no desempenho garantido pelo novo chip A19 Pro, 20% mais rápido que o da geração anterior.

O grande destaque é o iPhone 17 Air, apresentado como o smartphone mais fino já fabricado pela Apple, com apenas 5,6 mm de espessura, um feito que combina leveza e desempenho semelhante ao de um modelo Pro.
Além disso, os novos aparelhos oferecem maior durabilidade, tela mais fluida e ajustes de hardware que ampliam a autonomia e a eficiência para o usuário no dia a dia. Confira os preços oficiais no Brasil:


