
Não é ilusão de óptica. A cada ano, as lojas montam suas vitrines com a temática do Natal cada vez mais cedo. Seja dentro dos shoppings ou no comércio de rua.
Quando o assunto são os estabelecimentos especializados de decoração natalina, a aposta dos lojistas é nos clientes que gostam de se antecipar em busca de árvores, guirlandas, papais noéis, laços, presépios e luzinhas exclusivas.
— As lojas começam antes para despertar o interesse e, principalmente aquelas pessoas que levam isso muito a sério entendem que, se elas chegarem antes, vão ter acesso a um escopo maior e com preços interessantes — avalia a economista chefe da Fecomércio, Patrícia Palermo.
Buscando originalidade, comerciantes viajam durante o ano procurando novidades em feiras de outros países. É o caso de Joel Wofchuk, proprietário da Zona Franca, na Avenida Cristóvão Colombo, na zona norte de Porto Alegre. Trabalhando exclusivamente com o Natal há quase 30 anos, o local abre apenas de setembro a dezembro focando nas vendas para a data.

— Nossa loja fecha 24 de dezembro e, em janeiro, a gente já está viajando para comprar. Tem uma equipe que vai para os Estados Unidos, para ver as tendências em Las Vegas, na parte de iluminação e, durante o ano, a gente vai para a China e outros lugares — comenta Joel Wofchuk.
Prometendo opções para todos os bolsos, a loja conta com seis decoradores disponíveis para pensar a decoração desejada por cada cliente, sem custo adicional. Em meio a 7,5 mil itens, é possível buscar produtos mais tradicionais, além de artigos mais peculiares, como seis tipos de papel higiênico temáticos, que fizeram sucesso no ano passado.

A possibilidade de comprar online também é apontada pelas entidades do comércio como um fator relevante para as vendas iniciarem mais cedo. Segundo Patrícia Palermo, os sites exigiram uma adaptação dos estabelecimentos físicos.
— Essas lojas que abriam a partir de novembro começaram a se antecipar porque, no passado, tinham menos concorrência. Hoje, com advento de muitos sites internacionais ativos aqui dentro do Brasil e, com a disponibilidade de acesso das pessoas a essas plataformas, a concorrência aumentou — constata.
Orçamento mais enxuto
O economista-chefe do Sindilojas Porto Alegre, Rodrigo de Assis, reforça essa visão e destaca o aumento da presença dos grandes bazares de artigos variados, que também oferecem produtos de Natal, com enfoque em quem tem um orçamento mais restrito, mas também quer decorar a casa.
— Em regiões como Centro Histórico, a Azenha e a Assis Brasil tem uma mudança no comportamento do consumo, que migrou em parte para “bairros shoppings” e para o online. Então, o ticket médio é um pouquinho menor, como forma de atender um público de trabalhadores que passa por esses pontos da cidade — aponta.
O especialista ainda projeta um cenário positivo para um aumento nas vendas neste ano, considerando que o reajuste de preço destes itens está menor em comparação ao acumulado para a Capital.
— A inflação desses itens está menor do que a inflação média da cidade, o que pode abrir espaço na renda das pessoas para comprar esses artigos — ressalta Rodrigo.

Exclusividade e decoração personalizada pode chegar a R$ 200 mil
No bairro Navegantes, na Zona Norte, a Casa das Cestas aposta no público que gosta de inovar e que se organiza com antecedência. Com vendas abertas desde a metade de setembro, a loja na Avenida Cairu, oferece árvores de Natal imponentes e traz um catálogo com coleções organizadas em paletas de cores e itens diferenciados para agradar tanto o consumidor que quer apenas renovar a decoração, quanto o que prefere ter um projeto criado do zero a cada ano.
— O nosso lançamento do Natal nesse ano foi em 14 de setembro e a previsão para o ano que vem é fazer isso na primeira semana de setembro, porque já havia muitas pessoas pedindo e a gente não estava com tudo disponível ainda — admite a proprietária Karine Wickert.
Ela também atende o público que trabalha com comércio, fotógrafos e prefeituras que precisam fazer um planejamento prévio e comprar antes.

Com um andar inteiro dedicado ao tema natalino e 3,5 mil lançamentos, a Casa das Cestas promete preços melhores a quem compra antes. Para clientes que querem investir pesado na decoração, o local oferece um serviço de planejamento e instalação.
— A gente é muito conhecido pela decoração exclusiva. Então, quem quer um projeto muito imponente, ou uma coisa muito diferenciada, geralmente nos procura. A gente já fez projetos de R$ 100 a 200 mil para uma casa. Então, assim, o céu é o limite quando a gente fala de decoração de Natal — revela Karine.
A loja de decoração de Natal dos shoppings
Com três lojas sazonais no Iguatemi, Praia de Belas e BarraShoppingSul, além de uma unidade no bairro Vila Assunção, na Zona Sul, a Christmas Market costuma iniciar as vendas até o começo de outubro. Inspirada nas feiras natalinas europeias, a empresa foca no consumo afetivo, se preparando para uma compra que pode ser mais demorada e pensada, exigindo mais de uma visita do público.
— Tem a primeira visita, onde a pessoa começa a entrar no espírito natalino, daí ela vai na segunda vez e, na terceira vai começar a fazer a compra mais consciente — explica a proprietária Yula Pereira.

Para conquistar o cliente, a loja se empenha em dar uma atmosfera que desperte sensações com cheiro, música, cores e luzinhas.
— A gente tem árvores decoradas prontas a partir de R$ 390, mas tem modelos de R$ 15 mil — exemplifica Yula.
Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL), Irio Piva, esse consumidor mais antecipado está no radar do comércio e leva vantagem na hora de pesquisar e ter maior possibilidade de escolha.
— Aquelas primeiras pessoas que acabam aproveitando compram exatamente o produto que querem utilizar na decoração. Quem deixa para a última hora acaba, às vezes, ficando com aquilo que sobra — observa.


