
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira (7) que a discussão sobre o fim do tarifaço com os Estados Unidos não deve privilegiar apenas segmentos da matriz econômica brasileira, mas todos os produtos impactados. Na segunda-feira (6), o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone, marcando uma reaproximação entre os dois países.
Segundo o ministro, o governo brasileiro segue buscando sensibilizar o governo Trump e citou produtos que ficaram mais caros na mesa dos norte-americanos, como café e carne.
— Eu acredito que o que a gente chama de tarifaço, do meu ponto de vista, não é item a item, porque essa é uma dimensão política, não tem nada a ver com economia. O presidente Lula falou para o presidente Trump ontem (segunda-feira) que um país soberano tem o direito de proteger a sua economia. Mas essa majoração de 40% é eminentemente política, ela não tem nada de econômica — afirmou Haddad, em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro.
No Rio Grande do Sul, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que as exportações gaúchas para os Estados Unidos caíram 51,5% em setembro, com impacto em itens como tabaco, armas e munições e celulose.
O ministro da Fazenda afirmou na entrevista que está otimista nas tratativas com os Estados Unidos sobre o tarifaço. Segundo Haddad, o diálogo deve avançar independentemente da indicação de Marco Rubio como interlocutor. O secretário de Estado norte-americano foi um dos defensores de sanções contra o Brasil.
— A estratégia que foi decidida pelo presidente Lula vai render os melhores frutos para o Brasil, independentemente de quem seja designado para negociar. A diplomacia brasileira, com os argumentos que tem, vai saber superar esse momento. Trata-se de um equívoco muito grande, muito mais com base em desinformação do que propriamente com base na realidade dos fatos — destacou Haddad.
Alternativa ao IOF
Fernando Haddad afirmou ainda que está confiante na aprovação da medida provisória (MP) criada como alternativa ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A medida perde validade nesta quarta-feira (8) e precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.
Haddad evitou detalhar as concessões que o governo federal estuda fazer para garantir a aprovação. Caso a medida caduque, as perdas são estimadas em R$ 35 bilhões. Porém, o ministro garantiu que há margem:
— Sempre temos de ter espaço para negociar, porque senão fica uma coisa do fato consumado. Assim como a gente não gosta que coloquem a faca na nossa garganta, do "é isso ou nada", a gente não vai fazer isso com o Congresso. Entendemos o papel do Congresso.

