
O Banco Central (BC) informou que o volume diário de transações feitas por meio do Pix atingiu um novo recorde na sexta-feira (5). Foram registradas 290 milhões de transações em um único dia. Em valor financeiro, o total de transações corresponde a R$ 164,8 bilhões, também um recorde.
O recorde anterior havia sido registrado no dia 6 de junho deste ano, com 276,7 milhões de transações.
Segundo o Banco Central, o resultado é "mais uma demonstração da importância do Pix como infraestrutura digital pública, para o funcionamento da economia nacional".
Novas regras de segurança
Ainda na sexta-feira, antes da confirmação do recorde, o BC anunciou novas regras para evitar ataques envolvendo o Pix e o sistema financeiro nacional. A principal medida é o limite de operações com TED e Pix a R$ 15 mil em instituições de pagamento não autorizadas e as que se conectam ao Sistema Financeiro Nacional via Prestadores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI).
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que as medidas devem dar mais segurança a todo o sistema e aos clientes. As normas, segundo a autoridade, são uma forma de enfrentar a migração do crime organizado de crimes como furtos de carteira e assaltos a agências bancárias para roubos de senha e invasões de sistemas de tecnologia.
Em julho, a C&M Software sofreu um ataque, com estimativa de desvio de até R$ 1 bilhão. Em agosto, houve uma ação com foco na Sinqia, com prejuízo avaliado em R$ 420 milhões. O mais recente ataque hacker ocorreu nesta semana no banco digital gaúcho Monbank, envolvendo R$ 4,9 milhões.

Operação contra o PCC
No final de agosto, a Polícia Federal (PF) realizou uma megaoperação contra o crime organizado, mirando esquemas bilionários de fraude em combustíveis e lavagem de dinheiro, com envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores facções criminosas do país.
Para ocultar a origem e o destino do dinheiro obtido por meio do esquema envolvendo os postos de combustíveis, de acordo com a PF, centenas de empresas foram abertas. O grupo fazia transações por meio de fintechs (startups que oferecem serviços bancários), se aproveitando de brechas na regulação do setor para colocar o dinheiro ilícito no sistema financeiro.
Segundo a Receita Federal, as fintechs têm sido utilizadas para lavagem de dinheiro do crime organizado porque não têm as mesmas obrigações de transparência e de fornecimento de informações a que se submetem todas as instituições financeiras do Brasil.
Ataques de Donald Trump
Em meio à imposição de tarifas aos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, o governo de Donald Trump também anunciou uma investigação para apurar supostas práticas comerciais "desleais" realizadas no Brasil. Entre os pontos investigados está o Pix, em uso no território nacional desde 2020.
Conforme o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), o sistema de pagamento eletrônico parece favorecer os serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo. Os americanos afirmaram que as iniciativas do Brasil "podem prejudicar a competitividade de empresas americanas envolvidas em comércio digital e serviços de pagamento eletrônico".
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) rebateu as críticas, afirmando que "a observação feita pelo USTR deve-se mais a uma informação incompleta acerca dos objetivos e funcionamento do Pix".
Em artigo publicado em julho, o economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2008, elogiou o Pix e apontou o Brasil como exemplo global de inovação nos sistemas de pagamento.





