
Impactado pela quebra da safra de soja, o Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul apresentou queda no segundo trimestre deste ano. A redução foi de 2,7%, tanto em relação ao primeiro trimestre de 2025, quanto na comparação com o segundo trimestre de 2024.
Neste mesmo período, o PIB nacional teve crescimento de 0,4%, conforme dados do IBGE. Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, a economia do Brasil cresceu 2,2%.
Os dados do PIB gaúcho foram divulgados na tarde desta quarta-feira (24). O levantamento foi realizado pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) do governo estadual.
Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, a agropecuária registrou queda de 21,4%. Conforme os pesquisadores do DEE, a quebra da safra de soja afetou diretamente os resultados deste segundo trimestre.
— Por ser o principal produto agropecuário do Estado com larga vantagem sobre o segundo, e ter a produção quase totalmente concentrada nesse período, o impacto da soja sobre o PIB é muito forte. Quando a gente olha ao longo do ano, essa queda vai diluir, a perspectiva é que a agropecuária tenha uma queda no ano, mas bem menor do que essa que foi apresentada no segundo trimestre — explica Martinho Lazzari, pesquisador do DEE.
Conforme o DEE, a soja corresponde a cerca de 70% dos resultados de agropecuária no segundo trimestre do ano no Estado.
Ainda em relação ao segundo trimestre deste ano, os outros segmentos da economia gaúcha apresentaram leves variações positivas. A indústria registrou crescimento de 0,8% no período, puxada principalmente pela indústria de transformação, que teve alta de 2,1%, com destaque para a produção de máquinas e equipamentos agrícolas.
Os serviços também apresentaram pequeno avanço, de 0,3%, reforçados principalmente por serviços de informação (0,7%) e outros serviços (1,0%). O comércio, entretanto, apresentou recuo, de 0,9%, registrando a segunda queda consecutiva.
Comparação com mesmo período em 2024
Na comparação com os resultados do segundo trimestre de 2024, o PIB gaúcho também teve queda de 2,7%, com a atividade agropecuária caindo 23,9%. A soja registrou redução de 25,2%.
— A estiagem, para a economia do Rio Grande do Sul, é pior do que uma enchente, e eu acho que os números mostram isso. Nós tivemos em 2023 uma estiagem, em 2024 uma enchente e em 2025 uma outra estiagem, e o que nós vimos? Economia crescendo no ano da enchente e decrescendo nos dois anos de estiagem. A economia gaúcha tem essa dinâmica, por isso a gente precisa olhar muito para essa questão de irrigação, de mitigação de mudanças climáticas, poder irrigar as nossas lavouras, isso faz toda a diferença no resultado — destaca economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Antônio da Luz.
— Apesar da queda registrada na soja, não podemos esquecer que a safra do ano passado foi muito boa, então, mesmo assim, é uma queda ainda em um patamar elevado — acrescenta Tomás Fiori, diretor do DEE.
Por outro lado, o arroz (+20,1%) e o milho (+17,3%) tiveram crescimentos relevantes no período.
Na mesma comparação temporal, a indústria cresceu 4,0%, alavancada pela indústria de transformação, com crescimento de 7,6%.
Os serviços cresceram 2,4%, com elevações importantes em transportes, armazenagem e correio (4,8%), outros serviços (3,5%) e comércio (2,6%). Por outro lado, o setor de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana registrou queda de 16,0%, influenciado por menor geração hidrelétrica.
— Os avanços recentes da indústria de transformação ocorreram em cima de uma base de comparação bastante deprimida, lembrando também que a leitura ainda não capturou os efeitos do tarifaço e que nosso parque fabril foi proporcionalmente mais afetado no confronto com importantes Estados produtores. Por sua vez, os serviços seguem exibindo resiliência. O segmento apresenta uma relação intrínseca com o mercado de trabalho, de tal sorte que o aquecimento do emprego colabora para que a massa de salários suba acima da inflação — pondera o economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre, Oscar Frank.
Acumulado do ano e em 12 meses
No acumulado dos dois primeiros trimestres deste ano, o PIB gaúcho registra pequena queda, de 0,5%. No período, a agropecuária teve redução de 13,3%, enquanto a indústria teve crescimento de 1,7% e os serviços tiveram alta de 2,5%.
No acumulado de 12 meses, por outro lado, o PIB do Rio Grande do Sul registra alta, de 1,7%. No período, o resultado reflete principalmente o crescimento dos serviços, com 3,5%, e da indústria, com 0,3%.
Em comparação, no acumulado deste ano, o PIB do Brasil apresenta crescimento de 2,5%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o resultado do PIB nacional também é positivo, registrando alta de 3,2%.



