
O Grupo Abra, controlador da Gol, comunicou na quinta-feira (25) o fim das negociações de fusão com a Azul. A decisão também encerra o acordo de codeshare — em que duas ou mais companhias compartilham o mesmo voo — firmado em 2024.
Segundo nota divulgada pela Gol, o encerramento se deve à falta de avanços significativos nas tratativas. "Após a assinatura do Memorando de Entendimentos, em 15 de janeiro de 2025, a Abra se manteve disponível para seguir com as discussões. No entanto, não houve progresso relevante", informa o grupo.
A empresa também citou mudanças no cenário desde a assinatura do memorando e o pré-arquivamento do processo junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que, segundo a nota, ocorreram em um contexto diferente do atual.
Mesmo com as conversas ocorrendo paralelamente ao processo de recuperação judicial da Azul nos Estados Unidos (Chapter 11), a Abra afirmou que não houve avanço nas negociações. "Como resultado, e conforme previsto no acordo de confidencialidade, notificamos formalmente a Azul sobre o encerramento das discussões", diz o comunicado.
Apesar da decisão, o grupo reiterou que acredita no potencial de uma eventual combinação entre as duas companhias e se mantém aberto a futuras conversas com os agentes envolvidos.
Impacto no setor aéreo
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) afirmou que acompanha a decisão e destacou o crescimento do setor aéreo brasileiro, com aumento na demanda por voos nacionais e internacionais. A pasta ressaltou que o país continuará contando com três grandes companhias — Gol, Azul e Latam — o que, segundo o ministério, garante competitividade e mais opções aos passageiros.
A Gol concluiu recentemente o seu processo de reestruturação internacional e segue em expansão. Já a Azul está em fase de reorganização.
Fim do codeshare
O acordo de codeshare entre Gol e Azul permitia a venda cruzada de passagens, integração das malhas aéreas e acúmulo de pontos nos programas de fidelidade Smiles e Azul Fidelidade. Com o fim da parceria, o Grupo Abra informou que solicitou a rescisão dos contratos firmados em 2024.
A Gol garantiu que honrará todos os bilhetes emitidos durante a vigência do acordo e reforçou o seu compromisso com a qualidade do atendimento. Atualmente, a companhia opera 147 rotas domésticas e 42 internacionais.
No início de setembro, o Cade determinou que o contrato de codeshare deveria ser notificado ao órgão até 30 dias após a publicação da ata do julgamento no Diário Oficial da União. Até a conclusão da análise, as empresas estavam proibidas de ampliar as rotas incluídas no acordo. Caso o prazo não fosse cumprido, o contrato seria suspenso automaticamente, mantendo apenas as passagens já emitidas.
O conselheiro Carlos Jacques, relator do caso, destacou que acordos de codeshare não têm isenção automática da análise antitruste e devem ser avaliados individualmente. Ele apontou que a atuação preventiva do Cade deve considerar fatores como sobreposição de rotas, participação de empresas nacionais e possíveis efeitos semelhantes a uma fusão.



