
O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, disse nesta quinta-feira (7), que o plano de contingência para socorrer os setores afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos deverá sair até a próxima terça-feira (12).
— Ele (plano) foi apresentado ao presidente Lula, terminou ontem tarde da noite o trabalho. O presidente vai bater o martelo e aí vai ser anunciado. Se não for amanhã, provavelmente na segunda ou terça-feira — disse Alckmin a jornalistas.
Segundo Alckmin, o plano de contingência é para atender as empresas que foram mais afetadas, "que têm uma exportação maior e uma exportação menor para os Estados Unidos".
Ele afirmou, no entanto, que será colocada uma "régua", pois há setores em que 90% da produção vão para o mercado interno, com exportação de no máximo 10%. Em outros setores a parcela destinada para fora do país é maior.
— Tem setores que, do que exporta, mais da metade é para os Estados Unidos. Então foram muito expostos, estão muito expostos — exemplificou.
Alckmin também citou como exemplo o setor de pescado, explicando que, no caso da tilápia, o maior consumo é interno. Já o atum tem a maior parte da produção destinada à exportação.
— Às vezes dentro de um próprio setor, você tem uma diferenciação de quem exporta mais e menos — disse.
Reunião com representante dos EUA e setor calçadista
Ao longo do dia, Alckmin também reuniu-se com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Segundo o vice-presidente e ministro, o setor será bastante afetado pelo tarifaço, com o couro, matéria-prima para os calçados sofrendo um impacto maior.
— É um setor também afetado, que usa muita mão de obra. Mas, mais afetado que o calçado, é o couro. O couro, mais de 40% (da produção) é para exportação — disse.
Em outro momento, Alckmin também esteve com o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, em encontro fora da agenda.
A reunião foi realizada no prédio do ministério, em Brasília. No entanto, nem a pasta, nem a Embaixada dos EUA detalharam o teor da conversa. A pasta apenas informou que o encontro tratou das relações bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos.
Ao g1, o vice-presidente disse que foram apresentados argumentos sobre a relação comercial do Brasil com os EUA.
— Ele veio conversar, nós dissemos claramente nossos argumentos, dizendo: olha, a questão tarifária, de cada 10 dos maiores produtos exportados, oito têm alíquota zero. A tarifa média é 2,7% — afirmou.





