
O dólar acelerou os ganhos à tarde, junto às mínimas do Ibovespa, e alcançou o nível de R$ 5,50 nesta terça-feira (19). Com máxima de R$ 5,5059, encerrou o pregão em alta de 1,22%, a R$ 5,5009 – maior valor de fechamento desde o último dia 5. No sentido oposto, a pressão nas ações do setor financeiro resultou na maior perda em porcentual para o Ibovespa desde o mergulho de quase 3% em 4 de abril.
Investidores liquidaram papéis de grandes bancos na Bolsa e recompuseram posições cambiais defensivas por receio de escalada das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Motivo: incertezas provocadas pela decisão na segunda-feira (18) do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a aplicação de leis estrangeiras.
Os papéis das instituições financeiras tiveram expressivas quedas nesta terça (BB ON -6,03%, Itaú PN -3,04%, Bradesco PN -3,43%, Santander Unit -4,88%). A decisão de Dino, que afasta a eficácia automática de leis estrangeiras no Brasil, causou nova onda de dúvidas e apreensão no setor bancário, sobretudo naquelas instituições que têm operações nos Estados Unidos.
O índice da B3 cedeu terreno desde a abertura, e terminou o pregão com uma queda de 2,10%, aos 134.432,26, com giro a R$ 22,4 bilhões. Foi o menor nível de fechamento para o índice desde 5 de agosto. Na semana, o Ibovespa recua 1,40%, restringindo o avanço do mês a 1,02% e o do ano a 11,76%.
Com temor de mais insegurança jurídica, bancos que já estavam buscando pareceres no exterior sobre o tema preveem nova rodada de conversas com bancas de advocacia.
— A Bolsa já abriu em forte queda muito por conta da situação com os Estados Unidos e a decisão de Dino, o que trouxe efeito também para o câmbio e a curva de juros doméstica, em cima de notícia que traz apreensão ao mercado — diz Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos.
Ao analisar decisão da Justiça do Reino Unido sobre indenização a vítimas do desastre de Mariana e Brumadinho (MG), Dino esclareceu que ordens judiciais estrangeiras só valem após homologação da Justiça nacional no Brasil.
Embora motivada por um caso específico, a decisão de Dino protege cidadãos brasileiros dos efeitos da Lei Magnitsky, utilizada pelo governo americano para sancionar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, acusado por Donald Trump de promover uma caça às bruxas no processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
— Queda acentuada do Ibovespa hoje foi puxada pela posição do STF sobre a Lei Magnitsky, com redução da exposição dos investidores ao setor financeiro com essa decisão, que traz uma dinâmica prejudicial e leva a uma realização no segmento de bancos — aponta João Soares, sócio-fundador da Rio Negro Investimentos.
— Acredito que a decisão de Flávio Dino foi uma estratégia para ganhar tempo, já que a implementação da Lei Magnitsky, que prevê a restrição dos serviços bancários, ocorre de forma gradual, não imediata. Entendo que terão que cumprir a exigência internacional na íntegra, apenas não está claro quando — o que traz grande incerteza para o investidor, enfatiza Gabriel Filassi, sócio da AVG Capital.

