
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier, esteve em Brasília nesta segunda-feira (28) para relatar ao governo federal as consequências do tarifaço do governo dos Estados Unidos às indústrias gaúchas. O dirigente esperava entregar uma carta pessoalmente ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o que acabou não acontecendo.
Bier se reuniu rapidamente com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin. Na oportunidade, ele entregou um documento com as demandas gaúchas.
— A nossa ideia é tentar mostrar para o governo que vai haver desemprego, que tem empresas que já estão dando férias coletivas, que o desemprego vai ser muito grande e que isso pode trazer um problema sério para o governo —afirma.
A carta também foi entregue para assessores do presidente e da ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffman.
Bier participou do evento de lançamento do programa Acredita Exportação. O projeto foi sancionado na segunda-feira por Lula, no entanto, o presidente não discursou na cerimônia em Brasília.
O programa busca fortalecer as micro e pequenas empresas no mercado internacional, por meio da devolução de tributos federais pagos ao longo da cadeia produtiva de bens industriais destinados à exportação. Com a medida, as MPEs podem pedir a devolução de até 3% das receitas com vendas externas. O valor será compensado com tributos federais ou pago diretamente.
O programa começa a valer na sexta-feira (1º), mesmo dia em que está prevista para entrar em vigor a taxa de importação de 50% para produtos brasileiros aplicada pelos Estados Unidos. A medida é válida até 2027, quando entra em vigor a nova Contribuição Social sobre Bens e Serviços, prevista na reforma tributária.
Para o presidente da Fiergs, a medida é insuficiente.
— O anúncio foi bom, mas é muito pequeno, perto do que virá para nós. Fala em 3%, que já existia antigamente para micro, pequenas e médias empresas. A gente tem uma ideia de que as empresas que vão ser beneficiadas exportam apenas 1% do que o Brasil exporta. Então é realmente para incentivar os pequenos, mas não vai ter significado nenhum para as outras empresas — avalia.
Entre as principais demandas da Fiergs entregues ao governo federal estão: a priorização da via diplomática e da negociação; a não adoção de retaliações; a manutenção da tarifa atual; a tentativa de prorrogação do prazo de entrada em vigor da medida por pelo menos 90 dias; a antecipação de medidas internas de apoio, como compensações tributárias, flexibilizações trabalhistas para manter empregos, o acesso facilitado ao crédito e capital de giro para as indústrias afetadas e a abertura de novos mercados.
A entidade também solicita a prorrogação por um ano do prazo que as empresas têm para embarcar produtos que fazem parte de programas especiais de incentivo à exportação.
De acordo com estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Rio Grande do Sul será o segundo Estado mais impactado do país, com uma estimativa de queda de R$ 1,9 bilhão no seu PIB. Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial no setor de transformação, respondendo por US$ 1,8 bilhão (11,2%) das exportações do RS em 2024. Atualmente, 1,1 mil indústrias gaúchas exportam para os EUA, representando 10% do total nacional.
O presidente da Fiergs ainda acredita que o presidente norte-americano, Donald Trump, possa desistir da medida até sexta-feira.
— Nós estamos nessa expectativa, porque já houve outros casos em que o presidente Trump recuou bem no dia. Fez algumas negociações. Nós ainda trabalhamos com essa hipótese — finaliza.
Nesta terça, Claudio Bier, tem reunião marcada com a diretoria da CNI

