
O preço do café para o consumidor caiu 0,36% em julho, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumir Amplo 15 (IPCA-15), índice que antecipa a inflação oficial do país. É a primeira queda registrada em um ano e meio, após 18 meses consecutivos de aumentos.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (25). O recuo do café ocorre em um momento de desaceleração de preços no grupo Alimentação e Bebidas, que apresentou queda de 0,06% em julho.
Mesmo assim, o café moído ainda acumula alta de 76,5% em 12 meses, de acordo com o IPCA-15. Em junho, o preço médio do quilo do café tradicional atingiu R$ 66,70, ante R$ 35,17 há um ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
O que explica queda no preço do café
A principal explicação para a queda no preço do café está no avanço da colheita em regiões produtoras, que amplia a oferta do grão no mercado interno.
Segundo o g1, a redução nas cotações já vinha sendo observada no campo desde o início do segundo semestre, movimento agora repassado ao consumidor final.
Especialistas já projetavam que a colheita da safra brasileira, iniciada em março e com pico entre junho e julho, começaria a pressionar os preços para baixo no varejo. A tendência é que o preço continue a cair nos próximos meses.
Setor acompanha risco de tarifa dos EUA
Apesar da queda, o setor cafeeiro monitora o impacto do tarifaço de 50% anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, medida prevista para entrar em vigor a partir de 1º de agosto caso não haja acordo.
Os EUA são o principal destino das exportações de café do Brasil, comprando cerca de 16% do total produzido. A taxação pode afetar o fluxo comercial e pressionar ainda mais os preços no mercado doméstico.
No geral, o IPCA-15 apontou inflação de 0,33% em julho. O grupo Alimentação e Bebidas, do qual o café faz parte, foi um dos responsáveis pelo alívio nos preços, ajudando a frear a pressão inflacionária.


