
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista nesta quinta-feira (31), avaliou o decreto que formaliza a sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Ele falou com jornalistas quando chegava ao prédio da pasta, em Brasília. A entrevista foi transmitida pela GloboNews.
— Obviamente vamos recorrer às instâncias devidas, tanto nos EUA quanto nos organismo internacionais, para sensibilizar. Isso não interessa à América do Sul, não interessa ao Brasil — disse o ministro.
Haddad avaliou que o pequeno adiamento e as exceções ajudam, mas ainda é longe do ideal:
— O ponto de partida é melhor do que se esperava, mas estamos longe do ponto de chegada. Vai exigir muita negociação. São duas nações que têm 200 anos de bom relacionamento.
A ordem executiva do presidente dos EUA, Donald Trump, que oficializa as tarifas de 50% aos produtos brasileiros, deixou de fora alguns produtos brasileiros. A lista inclui 694 exceções.
Pela decisão norte-americana, setores como o de café, carne bovina e frutas sentirão o impacto com mais força. Os produtos ficaram de fora das exceções e seguirão com a incidência de uma alíquota adicional de 50% em suas vendas aos Estados Unidos. Segundo Haddad, a situação destes setores e de outros menores, são casos "dramáticos".
— Há muita injustiça nas medidas anunciadas ontem, há correções a serem feitas. Há setores que não precisariam estar sendo afetados. Nenhum a rigor, mas há casos que são dramáticos, que deveriam ser considerados imediatamente —declarou o ministro da Fazenda.
— Estamos ampliando as nossas exportações, mas procurando equilibrar entre os vários destinos, justamente para não ter dependência em nenhum dos blocos econômicos e poder funcionar a economia.
Haddad disse ainda que o governo federal deve lançar, nos próximos dias, um plano de apoio a setores afetados, mas que o programa será ajustado em decorrência das exceções anunciadas ao tarifaço:
— Nós vamos agora calibrar, justamente à luz do que foi anunciado ontem, vamos fazer a calibragem para que isso possa acontecer o mais rápido possível. Os atos já estão sendo preparados.
Força interna contra os interesses do Brasil
Na parte final da entrevista, Haddad expressou sua opinião sobre as decisões controversas do governo dos Estados Unidos contra o Brasil. Ele afirmou o desejo de explicar aos norte-americanos sobre como funciona o judiciário brasileiro.
— Penso que essa semana é o começo de uma conversa mais racional, mais sóbria, menos apaixonada, e também explicar como funciona o nosso poder judiciário. Tem que haver uma compreensão de uma democracia de como funciona a outra democracia — disse ao falar sobre uma possível reunião com Scott Bassent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos.
Sem citar nomes, o ministro da Fazenda comentou que "há uma força interna trabalhando contra os interesses do Brasil".
— O Brasil é signatário de todos os acordos e convenções internacionais que protegem os direitos humanos. Quando alguém está incomodado, tem 10 instâncias para recorrer, não precisa recorrer à agressão de uma potência externa contra os interesses do Brasil — opinou. — É muito diferente quando você tem uma força interna trabalhando contra os interesses do país. Isso fragiliza o Brasil. Isso não está acontecendo em nenhum outro país do mundo, só está acontecendo no Brasil. As pessoas precisam compreender que isso fragiliza a posição do país — concluiu.



