
Enquanto mercadorias como suco de laranja e aviões ficaram de fora do tarifaço dos Estados Unidos, outros itens de setores expressivos da economia brasileira devem sofrer os impactos da taxação extra de 50%. Entre esses produtos, estão o café e a carne, cujas receitas das exportações só ficam atrás dos valores do petróleo.
As tarifas, que seriam aplicadas em 1º de agosto, só passarão a valer no dia 6. O decreto de Donald Trump lista cerca de 700 produtos que ficaram de fora do tarifaço (veja abaixo).
O mercado norte-americano é o segundo principal destino de exportações brasileiras — ficando atrás da China.
Café moído
Maior exportador mundial de café, o Brasil tem nos Estados Unidos um de seus principais mercados consumidores. Em 2024, as exportações brasileiras do grão renderam cerca de US$ 2 bilhões, representando 16,7% do volume total embarcado no ano. As informações são do g1.
No entanto, o setor cafeeiro brasileiro pode enfrentar um novo obstáculo. De acordo com a consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio, a imposição de uma tarifa de 50% sobre o produto deve pressionar as margens de lucro dos exportadores e encarecer o café para o consumidor norte-americano. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) também alerta para um impacto direto no preço final do produto nos Estados Unidos.
A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) afirmou, em relação à nova data do decreto, que "todo tempo ganho é válido". Segundo a entidade, "as negociações estão longe de serem finalizadas, ao contrário, seguem em curso".
"A lista de exceções nos sinaliza espaço para caminhos de negociação. Temos na história recente das relações comerciais casos de outros países com reversões de escalada de tarifas. Seguiremos colaborando com as autoridades, confiando na diplomacia brasileira, tomando as medidas possíveis juntos aos atores envolvidos e apostando na força econômica e social do café para os EUA", diz a nota da Abic.
Carne bovina
A segunda maior parte da carne bovina brasileira vai para os Estados Unidos. No ano passado, foram 532 mil toneladas embarcadas, gerando uma receita de US$ 1,6 bilhão.
Segundo a Minerva Foods, a medida pode provocar uma redução de até 5% na receita líquida. Já gigantes como JBS e Marfrig, que possuem operações nos EUA, devem conseguir mitigar parte dos impactos. Ainda assim, o cenário é considerado delicado: o preço da carne bovina já está elevado no mercado americano, reflexo da baixa oferta de animais para abate.

Veja o que ficou de fora da taxação
A lista inclui 694 exceções, como:
- suco de laranja
- aviões e drones
- castanhas
- minério de ferro
- petróleo
- carvão
- óleos
- madeira
- celulose
- móveis de metal e plástico
Produtos como madeira, celulose e equipamentos elétricos também ficaram de fora.
Aço e alumínio, que já haviam sido taxados em 50% nas importações com origem de todos os países, não foram incluídas na lista.


