
Setores produtivos e exportadores gaúchos estiveram representados na reunião desta terça-feira (15) com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço, Geraldo Alckmin, em Brasília. O Rio Grande do Sul é um dos Estados que saem prejudicados com a imposição da alíquota de 50% anunciada por Donald Trump para valer a partir de 1º de agosto, especialmente pela produção de calçados, carnes, celulose, entre outras.
Gaúcho e presidente Associação das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira representou o setor calçadista nacional, que tem no Rio Grande do Sul um dos seus principais polos. A indústria gaúcha representa 22% de toda a produção nacional e 50% do valor gerado de exportação. O Estado é o segundo maior produtor nacional de calçados, atrás apenas do Ceará, e o maior exportador em valores do Brasil.
Em entrevista à colunista Marta Sfredo, Ferreira disse que “o objetivo é voltar à tarifa de 10%”. No patamar apresentado por Trump, as exportações se tornariam inviáveis. Em entrevista à Gaúcha após a reunião, o presidente-executivo disse que o trabalho conjunto das entidades é para que haja uma negociação das alíquotas.
— Foi consenso que a saída é diálogo. Tem que separar a parte política da parte empresarial. O consenso é de negociação — afirmou Ferreira sobre o encontro.
À reportagem de Zero Hora, Ferreira já havia citado que há questões de um mercado diferenciado que dificultam os negócios no setor. Isso porque o tipo de calçado fabricado especialmente no RS é considerado de alto valor agregado e não encontra facilmente outros compradores. Por este motivo, a realocação não é simples.
Indústria soma esforços
A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) não enviou porta-voz próprio, mas foi representada pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, que fez coro pelas demais federações. O dirigente reforçou o pedido para que o governo articule uma ampliação de 90 dias para o começo da vigência das alíquotas.
Estimativa preliminar do setor fabril aponta para uma perda de pelo menos 110 mil postos de trabalho, caso a medida entre em vigor nos termos anunciados.
Em nota, a Fiergs comunicou que elaborou uma carta conjunta sobre o tema com os sindicatos filiados. O documento solicita a manutenção da atual tarifa em 10% e menciona a prorrogação por 90 dias, caso o aumento não seja revertido. O presidente da entidade, Claudio Bier, reforçou a posição da Fiergs pela negociação, "com o objetivo de evitar maiores prejuízos ao setor".
Pecuária destaca relevância de exportações
Outras entidades nacionais, como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e representantes dos frigoríficos, estiveram na reunião desta terça em nome do agronegócio. O setor é um dos mais impactados pelas medidas e, no RS, será penalizado nas exportações de celulose e fumo, especialmente.
Presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirmou, em coletiva após o encontro, que, inicialmente, deve-se buscar a prorrogação da aplicação das taxas, para então negociar uma revisão da medida.
— Brasil exporta praticamente o que é utilizado na indústria americana para fazer hambúrguer, ou seja, recortes do dianteiro do boi, carnes não tão consumidas no Brasil, mas que têm importância econômica para os EUA, então (é preciso) levar esta relevância na negociação — apontou Perosa.

