
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, disse que ressaltou a independência do poder Judiciário brasileiro em reunião nesta quarta-feira (30) com o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, em Washington.
— Afirmei que o poder Judiciário é independente no Brasil como aqui e que não se curvará a pressões externas. Nesse sentido, o governo brasileiro se reserva o direito de responder às medidas adotadas pelos Estados Unidos — disse Mauro Vieira à imprensa.
O chanceler brasileiro disse ainda que ambos concordaram sobre a necessidade de manter diálogo para resolver os problemas bilaterais.
Ele afirmou que voltará hoje ao Brasil e relatará a conversa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir a resposta brasileira ao tarifaço de 50% e às sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Tarifa e sanções
A Casa Branca publicou, na tarde desta quarta, um comunicado detalhando o decreto da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. No texto, o governo americano classifica o Brasil como uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança, à política externa e à economia dos EUA.
As tarifas passam a valer no dia 6 de agosto. O decreto lista cerca de 700 produtos que ficaram de fora do tarifaço.
Contra Moraes, foram aplicadas sanções da Lei Magnitsky, usada pelo país para punir estrangeiros.
A decisão do governo norte-americano bloqueia as contas bancárias no país, restringe seu acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos e trava o acesso a eventuais bens que o ministro tenha em solo norte-americano, além de proibir a sua entrada no país. O seu visto e de outros oito membros do STF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, já tinham sido suspensos por ordem de Trump em 18 de julho.



