
Após a confirmação da Azul Linhas Aéreas de encerramento da oferta de voos entre Santa Maria e São Paulo a partir de agosto, a prefeitura afirma que já está contatando as concorrentes para evitar que a cidade perca a conexão direta com o centro do país.
Conforme o secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Santa Maria, Ronie Gabbi, a administração já está contatando a Latam e a Gol para oferecer a rota.
A negociação deve interessar as companhias, segundo o secretário. De acordo com Gabbi, as aeronaves costumavam costumavam ter ocupação de 75%. Além desse caminho feito pela prefeitura, Gabbi afirma saber que a própria Azul já foi acionada por outras companhias aéreas, interessadas em assumir as viagens.
Após o comunicado, a Azul irá operar apenas um voo diário entre Santa Maria e Porto Alegre. Será a única operação na Região Central.
Ampliação do aeroporto entra no radar
A mais efetiva das alternativas – mas que demanda mais tempo e envolve mais setores –, é de reformar e ampliar a pista do aeroporto, para que ele possa receber aeronaves maiores. Seria a mais perene das soluções, segundo o secretário.
Atualmente, a pista – que é compartilhada com o aeroporto militar da Base Aérea de Santa Maria – pode receber aviões de pequeno e médio porte. A pista principal, de concreto, tem 2.700 metros de extensão por 45 metros de largura. Há uma outra pista de asfalto de 1.800 metros de comprimento por 30 metros de largura.
O projeto de ampliação e reforço da pista permitiria receber jatos Boeing e Airbus para transporte de quase 200 passageiros.
Para essa obra, o secretária firma que será preciso contar com a Secretaria de Aviação Civil (SAC) e o Comando da Aeronáutica (ComAer). Ele afirma que já há valores dimensionados tanto na SAC quanto na ComAer para os serviços. Para colaborar nesta iniciativa, uma frente política também se prontificou a angariar recursos pela reforma.
Por fim, há ainda o próprio processo de recuperação judicial da Azul, o que motivou a desativação a operação com o Aeroporto de Internacional de Viracopos, em Campinas (SP). Gabbi afirma que a companhia poderá voltar a operar um voo para São Paulo, mas que esta possibilidade depende da empresa recuperar sua situação financeira. Portanto, não há previsão.
Azul entrou com Chapter 11 nos EUA
A Azul protocolou o pedido de Chapter 11 em 28 de maio, equivalente à recuperação judicial, na Justiça dos Estados Unidos. A notícia já era aguardada pelo mercado diante das dificuldades recentes da companhia para levantar capital e renegociar dívidas.
A recuperação contempla aproximadamente US$ 1,6 bilhão em financiamento durante o processo, eliminação de mais de US$ 2 bilhões em dívidas (cerca de R$ 11,28 bilhões) e previsão de até US$ 950 milhões em novos aportes de capital no momento da saída, segundo fato relevante divulgado pela Azul.
Histórico
Entre as três principais companhias que operam no Brasil, a Azul era a única que ainda não tinha recorrido ao Chapter 11. A Latam entrou no processo durante a pandemia e encerrou a recuperação judicial em 2022. Já a Gol entrou com o pedido no início de 2024 e deve sair do processo em junho.
O Chapter 11 voltou a ser uma possibilidade para a Azul após a piora da situação financeira da companhia. A dívida bruta da empresa aérea encerrou março em R$ 34,6 bilhões, crescimento de 42% em 12 meses.
A Azul buscou várias formas nos últimos meses para tentar evitar essa medida e tem a intenção de fazer uma nova oferta de ações. Mas a avaliação é que só vai conseguir fazer quando o operacional da empresa melhorar.
Enquanto isso, o cenário põe em xeque a potencial fusão entre Azul e Gol. A previsão era de que as negociações, em andamento desde janeiro deste ano, andassem após o fim do Chapter 11 da Gol. Contudo, a expectativa é de que os esforços da Azul se concentrem agora no processo de recuperação financeira.


