
Representantes da administração pública se reuniram nesta quarta-feira (7) para debater o impacto da enchente que atingiu o Rio Grande do Sul há um ano. Promovida pelo Instituto Caldeira, hub de inovação na zona norte de Porto Alegre, a conferência RS Mais Forte recebeu cerca de 500 pessoas. Entre os palestrantes estiveram o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo. O encontro reuniu ainda secretários, representantes de entidades e empresários.
O primeiro a subir ao palco foi Melo, que abordou financiamentos buscados fora do país para realização de obras estruturais na Capital. Segundo ele, estão sendo captados quase R$ 5 bilhões em bancos internacionais — deste montante, R$ 1 bilhão serão investidos no 4º Distrito e no Centro Histórico. Além de fortalecer o sistema contra cheias nestas regiões, estão previstas revitalizações de praças e de calçadas.
— A gente colocou de pé o sistema de proteção contra cheias. Falam de ter um sistema novo, mas como fazer isso se antes eu não colocar de pé o que estava velho? Hoje, o sistema velho está funcionando, e melhor do que antes. Mas nós ainda precisamos ter um sistema novo. Já está desenhado e sendo contratado — disse o prefeito.

A fala do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, encerrou a conferência. Ele falou sobre o andamento de projetos como a dragagem de canais e a reconstrução de estradas, e também destacou iniciativas para um futuro próximo, como a nova sede da Defesa Civil, na Avenida Ipiranga, e novos sistemas de proteção contra cheias em todo o Estado.
— Não adianta colocar diques para uma falsa sensação de segurança, para ficarmos politicamente confortáveis de que obras estão acontecendo, e ali na frente os sistemas não suportarem o que venha a acontecer. Serão bilhões de reais investidos. Leva um tempo para implementar novos sistemas — disse Leite.
O governador também destacou que o Plano Rio Grande — programa de investimentos na reconstrução lançado após a enchente — não pode se encerrar com a atual gestão no Executivo estadual, e pediu o engajamento de diferentes setores da sociedade para que ele seja executado e aprimorado:
— É um plano para as pessoas. Não é do governo, não é do Estado. Este governo tem mais um ano e meio. É muito importante que haja esse acompanhamento intensivo por parte da sociedade civil. Esse plano pode ser aprimorado, deve ser aprimorado. O governo que venha a ser eleito terá legitimidade para dar inflexão para cá e para lá, ajustar, mas não podemos recomeçar, voltar à estaca zero.

Também participaram do evento RS Mais Forte o secretário municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre, Germano Bremm, o presidente do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), Bruno Vanuzzi, o diretor executivo do Instituto Caldeira, Pedro Valério, e o CEO do Vakinha, Luiz Felipe Gheller.
Coalizão RS

Durante o evento, foi assinado um memorando entre o governo do RS e empresários para a criação da Coalizão para a Reconstrução do Rio Grande do Sul (Coalizão RS). Trata-se de uma iniciativa que reúne financiadores, articuladores, operadores de projetos, universidades e o poder público para acelerar a recuperação do Estado após as enchentes históricas. O objetivo é desbloquear recursos, públicos e privados, qualificando e implementando projetos de forma coordenada e estratégica, com foco no desenvolvimento sustentável e inclusivo.
Entre os principais atores envolvidos estão o RegeneraRS, o Transforma RS, o Instituto Caldeira, o Escritório 4D, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e o governo estadual. Com um modelo de governança participativa, a coalizão aposta na transparência, na eficiência e na geração de impacto concreto.
— Reconstruir exige ação coordenada. A Coalizão RS conecta quem tem ideias, projetos e investimentos. O Instituto Caldeira apoia e vibra com todas as iniciativas que contribuam para a criação de um Estado mais forte e competitivo — disse o diretor executivo do Instituto Caldeira, Pedro Valério.


