O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou nesta quinta-feira (5) que o crescimento da economia brasileira em 2019 é muito baixo, não é normal e causa frustração na sociedade.
O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2019, apresentado na quarta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com alta de 1,1%, é menor do que o projetado inicialmente pelo mercado e consolidou 2019 como o terceiro ano seguido de fraco crescimento da economia brasileira.
Na quarta-feira (4), o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o dado veio dentro do previsto e que o país está acelerando. A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia, por sua vez, avaliou que a economia está em ritmo de retomada e que a composição do PIB melhorou, com crescimento privado em substituição do setor público.
Em seminário com secretários de Estado em Brasília nesta quinta, entretanto, o secretário do Tesouro fez declarações em tom menos otimistas.
— Estamos num país que ainda está passando por enormes dificuldades. Eu durmo tranquilo? Não durmo tranquilo. Estou muito preocupado porque a gente está ainda em um país com crescimento muito baixo. Não é normal um país em desenvolvimento como o Brasil crescendo 1% ao ano. Isso é normal? Isso não é normal — afirmou.
No encontro, o secretário ressaltou a importância de dar continuidade ao ajuste fiscal para que o país tenha condição de crescer e fornecer serviços públicos de qualidade à população.
— Um país com tanta necessidade, tanta carência e desigualdade tão grande crescer 1% ao ano claramente causa frustração em vários segmentos da sociedade. Por isso, é preciso chegar a um consenso sobre que país precisa fazer — disse.
No sentido contrário ao argumento dado pelo Ministério da Economia de que há uma tendência de fortalecimento do setor privado, os dados do IBGE mostram que os investimentos caíram e os gastos do governo cresceram no encerramento do ano passado.
No último trimestre de 2019, o consumo do setor público expandiu 0,3% em relação ao mesmo período de 2018. Se comparado com o trimestre anterior, a alta foi de 0,4%. O investimento, por sua vez, caiu 0,4% nos últimos três meses do ano, se comparado com período equivalente de 2018. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o recuo nessa conta foi de 3,3%.
Na avaliação de Mansueto, o movimento não representa uma reversão de tendência.
— No final do ano, você teve dados muito contraditórios, mas se a gente olha o ano, o crescimento está sendo puxado pelo setor privado e, no ano passado, o investimento já cresceu em relação ao ano anterior. Tem só que consolidar isso em um ritmo mais acelerado — afirmou.




