No dia em que a presidente Dilma Rousseff teve de lembrar que os votos lhe dão legitimidade no poder, e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse não haver "razão nem benefício" no impeachment, não é estranho que analistas projetem cenários contemplando essa hipótese.
Paulo Figueiredo, diretor de operações da assessoria de investimentos FN Capital, contou à coluna que faz cálculos a pedido de clientes. Para o profissional, a probabilidade não passa de 15%, pela falta de justificativa legal, mas existe. Caso se configure neste ano, os investimentos estrangeiros só retornariam em 2017, projeta:
- Com um presidente afastado por impeachment, o país se torna incerto e imprevisível.
Completam o quadro dólar acima de R$ 4, juro além de 14,5% e bolsa em 40 mil pontos - queda ao redor de 20%. E no dia em que a inflação medida pelo IPCA bateu em assustadores 9,56% em 12 meses até julho - em Porto Alegre, já bateu nos dois dígitos, 10,19% -, parece ter dado certo a retomada do esforço para frear a alta do dólar. Depois de subir sem escalas durante seis dias úteis seguidos, nesta sexta-feira a moeda americana teve um leve recuo.
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Passado o choque nos preços provocado pelos tarifaços de energia, o que mais ameaça a inflação é a alta do dólar. Mesmo sem impeachment, a projeção de Figueiredo para a moeda americana - arriscada, mas necessária - fica entre R$ 3,75 e R$ 3,80 no final do ano.
Nessa estimativa, já está computada a contribuição externa para a decolagem da moeda americana: a elevação na taxa de juro nos Estados Unidos, que o profissional prevê para setembro.
- Sem impeachment, não será muito diferente - avalia Figueiredo.


