
Durante décadas, o conceito de status esteve diretamente ligado à posse de bens – imóveis, carros, objetos de luxo e patrimônio visível. Esse paradigma, no entanto, vem se transformado.
Um estudo da Association for Psychological Science, com mais de mil participantes, mostrou que consumidores relataram níveis significativamente mais altos de felicidade ao investir em experiências do que em bens materiais. Em outras palavras, cresce a percepção do “luxo silencioso”, em que o verdadeiro valor está menos no “ter” e mais no “viver”.
Bem-estar no centro das decisões
A valorização das experiências está diretamente ligada a uma preocupação crescente com o bem-estar físico, mental e emocional. Em um cenário de rotinas aceleradas, consumidores passam a priorizar momentos de pausa, descanso e reconexão.
O consumo deixa de ser apenas uma demonstração de poder aquisitivo e passa a ser uma ferramenta para viver melhor. O tempo, antes tratado como recurso secundário, assume papel central.
– Costumo dizer que a vida é formada por quatro Ts: Templo (corpo), Tempo, Talentos e Tesouros. Mas, entre todos, o mais valioso é o tempo, justamente porque é o único sobre o qual não temos controle. Não sabemos quanto nos resta. Por isso, quanto melhor conseguimos usá-lo, melhor vivemos – frisa o conselheiro da Ownerinc, Domi Müller.
Compartilhar para viver mais
Dentro dessa transformação, surge como alternativa o modelo de propriedade compartilhada, que propõe uma lógica mais eficiente de uso e acesso ao luxo.
A ideia é simples: dividir os custos de aquisição e manutenção de um imóvel entre diferentes proprietários, pagando apenas pelo tempo real de utilização. O modelo visa reduzir o ônus financeiro e operacional, ao mesmo tempo em que amplia a possibilidade de experiências.
Em entrevista, Müller detalha como essa mudança se conecta às novas prioridades do consumidor:
Hoje, o público de alto padrão vem migrando do “ter” para o “viver”. O que despertou essa mudança?
Hoje, a experiência está ligada a como você vive, não ao que você tem. Quando você deixa de concentrar recursos em bens que não utiliza plenamente, você ganha liberdade para viver mais – viajar, estar com a família, explorar novos lugares. O valor passa a estar na vivência, não no imóvel.
Um imóvel fechado costuma gerar mais dor de cabeça pelas manutenções do que descanso. O quanto isso acelera a fuga do modelo tradicional de segunda residência?
Essa é uma tendência que já observamos há cerca de 15 anos. No caso de imóveis de veraneio, muitas vezes você tem um patrimônio alto que é usado poucas vezes. Eu mesmo tive casa em Gramado e usava cerca de três vezes por ano. Enquanto isso, o imóvel exigia manutenção constante – limpeza, jardinagem, reparos.
As novas gerações, inclusive, já não têm mais esse mesmo apego à posse. Elas querem mobilidade e variedade. Antes, a família tinha casa na praia e ia sempre para o mesmo lugar. Hoje, as pessoas querem conhecer novos destinos. O mundo ficou mais acessível, e a informação também. Isso muda completamente a lógica do consumo.
Como funciona, na prática, o modelo de propriedade compartilhada?
Você adquire o número de semanas que faz sentido para o seu uso. Se não utilizar, pode colocar em locação ou até trocar por estadias em outros destinos pelo mundo. Isso resolve o problema da ociosidade e amplia as possibilidades de experiência.
E quanto ao custo? Vale a pena financeiramente?
Manter uma casa de alto padrão pode custar cerca de R$ 100 mil por ano, independentemente do uso de fato. Com esse valor, é possível fazer viagens completas. No modelo compartilhado, você paga apenas pelo que usa e reduz significativamente esse gasto. Luxo hoje é poder trabalhar menos para ter mais experiências. Trocar o tempo de trabalho e de investimento pelo tempo de qualidade.
A materialização da tendência em Gramado
Destino tradicional de turismo de alto padrão no Brasil, Gramado se insere nesse movimento como um dos principais polos de refúgio e experiências. É nesse cenário que a Ownerinc aposta no Owntime Home Club Gramado, empreendimento em fase final de obras, localizado na região central da cidade.
O projeto incorpora o conceito de propriedade compartilhada aliado a uma estrutura de alto padrão. Os proprietários têm acesso ao Own Club, plataforma de experiências com curadoria que inclui gastronomia, wellness e vivências locais.
Além disso, o modelo integra serviços de hospitalidade assinados pela Casa Hotéis, referência no setor. A proposta é oferecer uma experiência completa – da casa pronta para uso à oferta de serviços personalizados.
Viver melhor como escolha
A transformação do luxo reflete uma mudança mais profunda: a forma como as pessoas escolhem viver. Se antes o objetivo era acumular patrimônio visível, hoje cresce o desejo por liberdade, tempo e experiências significativas. O consumo passa a ser menos sobre exibição e mais sobre propósito.
No fim, a pergunta deixa de ser “o que eu tenho?” e passa a ser “como eu estou vivendo?”. A resposta, cada vez mais, aponta para um novo símbolo de status: viver bem.
– Viver bem hoje é ter liberdade sobre seu próprio tempo. É não precisar dedicar energia a coisas que não fazem sentido para a sua rotina e poder focar no que realmente importa: experiências, relações e qualidade de vida. Esse é o novo significado de luxo – conclui Müller.


