
Por Daniel Randon – Presidente e CEO da Randoncorp e Presidente do Conselho do Transforma RS
Acredito em uma premissa fundamental para os negócios e para a vida em sociedade: alcançamos resultados duradouros quando trabalhamos de forma consistente a visão de futuro que desejamos, com solidez, dinamismo e coragem coletiva.
O transporte rodoviário de cargas é considerado a espinha dorsal da economia brasileira, sendo responsável por 75% da movimentação de mercadorias (segundo dados de 2025 do Ministério dos Transportes) e empregando quase dois milhões de trabalhadores formais (conforme dados de 2023 do Ministério do Trabalho e Emprego). Esses números representam um ecossistema vital para o país. No caso do Rio Grande do Sul, esse modal ganhou ainda mais relevância recentemente, devido aos impactos nas infraestruturas afetadas pelas enchentes de 2024. Além da reconstrução da malha rodoviária, a limitação momentânea de outros modais, como o ferroviário e o hidroviário, exige ainda mais resiliência do transporte por rodovias.
As perspectivas para o transporte rodoviário de cargas no Rio Grande do Sul em 2026 indicam um cenário de recuperação e investimento, embora o setor enfrente desafios como os altos juros, a carga tributária e a necessidade de políticas públicas que o impulsionem. O futuro aponta para um trabalho contínuo de recuperação da infraestrutura e busca por eficiência, com investimentos planejados para modernizar o setor. No entanto, é preciso superar os desafios econômicos e políticos para garantir a competitividade e a sustentabilidade da economia gaúcha.
O momento exige de todos os agentes — públicos e privados — uma visão inovadora e colaborativa. Como empresário, seja na empresa que lidero ou nos coletivos dos quais participo, como o Transforma RS, tenho clareza do meu papel cidadão: influenciar o cenário político, promover o alinhamento empresarial e colaborar com as instituições governamentais, sempre buscando um ambiente favorável à inovação e ao crescimento.
Além do amplo trabalho de reconstrução, o Estado está empenhado na elaboração de um plano de longo prazo, com o objetivo de mapear os gargalos e orientar os investimentos para as próximas décadas. É imprescindível que todos nós participemos desse processo e atuemos como fiscalizadores, para que o plano, uma vez aprovado, seja efetivamente implementado.
Um passo importante nesse sentido foi a recente suspensão do pagamento da dívida do Estado com a União, que dá alívio temporário para o fluxo das contas públicas e permite direcionar esses recursos para investimentos em infraestrutura. Nesse contexto, é fundamental que a iniciativa privada participe ativamente, por meio de parcerias público-privadas e concessões, em um ambiente fiscal e regulatório favorável ao desenvolvimento econômico, capaz de viabilizar uma infraestrutura que contribua para uma logística mais competitiva.
Em outra frente, não podemos esquecer das pessoas que fazem tudo acontecer: os colaboradores das inúmeras empresas do setor, em suas diversas áreas de atuação, e, especialmente, os motoristas e caminhoneiros. Um setor de transporte e logística mais eficiente — com infraestrutura adequada de estradas, pontos de descanso, e com custos operacionais equilibrados — é a fórmula para manter esses profissionais atuando nas nossas estradas de forma qualificada. Precisamos dar atenção a esse aspecto para evitar, no futuro próximo, um colapso do setor por falta de mão de obra.
Todos esses aspectos são estratégicos para o dinamismo de uma cadeia que precisa equilibrar custos operacionais elevados, exigências ambientais e avanços tecnológicos com eficiência logística, cuidado com as pessoas e com o planeta, em um ambiente de negócios em constante busca pela competitividade.

