A cada giro, freada brusca ou perseguição ao boi, a plateia aplaude em êxtase. No centro da arena, os melhores ginetes do Estado conduzem a elite da raça crioula na mais tradicional prova equina da América Latina.
Uma multidão presenciou neste sábado (5), na Expointer, a final da 45ª edição do Freio de Ouro. Ao final de cinco dias de provas, a grande campeã nas fêmeas foi Oferenda da Tamanca, do criador Lauro Terra e conduzida pelo ginete Ricardo Wrege. Em seu terceiro ano consecutivo na decisão do Freio e com três prêmios de Alpaca, a égua douradilha esteve na frente durante todo o último dia de prova.
Aos 34 anos, Ricardo Wrege é considerado o ginete mais promissor da nova geração. Retratado em uma série de reportagens de GZH sobre treinadores de campeões, publicada no ano passado, ele conquista seu primeiro Freio de Ouro. O ginete, que deixou a casa dos pais na adolescência para aprender a arte do treinamento de cavalos, também ficou com o Freio de Prata, montando Iluminada do Rio Negro, do criador Gustavo Camponogara. Neste ano, ele concorria com 11 animais.
— Faz 20 anos que sai de casa para começar a construir isso que estou vivendo hoje. Eu ainda não sabia, mas foi a principal decisão da minha vida. Depois de ter batido na trave várias vezes, agora fui coroado — afirmou o ginete, emocionado, dividindo a montaria con a filha Luiza, de seis anos.
Nos machos, o vencedor foi Leon Salvaje, montado por Tomaz Gonçalves e do criador Anastasio Gamarra. O cavalo tostado terminou a sexta-feira (4) na nona colocação e assumiu a liderança no último dia de competição
— Foi um ano bem pesado, o cavalo não vinha. Essa prova tira qualquer um do jogo, não tem ser humano que não trema as pernas. No fim, Deus deu a resposta. Muito obrigado — desabafou Gonçalves ao final da disputa.
Todos os anos, o Freio de Ouro seleciona a elite da raça numa competição que alia a destreza dos ginetes à mais perfeita harmonia entre aptidão física e eficácia dos animais nas tarefas da lida campeira. Ao todo, 106 exemplares, 53 machos e 53 fêmeas, participaram da disputa em 2026, cujas etapas começaram em 1º de setembro. Dezesseis machos e 16 fêmeas chegaram à final.
Os animais passaram por avaliações morfológicas e provas de pista, como andadura, volta sobre patas e esbarradas. A competição que mais entusiasma o público, porém, é a paleteada, em que um boi é conduzido por duplas de ginetes em disparada ao longo da pista de 110 metros.
A partir de 2027, o Freio de Ouro terá, pela primeira vez em sua história, premiação em dinheiro os vencedores. Ao todo, R$ 1,4 milhão será distribuído entre os destaques.
Cada vencedor do Freio de Ouro receberá uma caminhonete avaliada em R$ 200 mil. Os demais ocupantes do pódio também serão contemplados, com R$ 120 mil para o Freio de Prata, R$ 80 mil para o Freio de Bronze e R$ 60 mil para o Freio de Alpaca.
Os campeões do Freio de Ouro
Machos
Freio de Ouro — Leon Salvaje, com o ginete Tomaz Gonçalces. Criador e expositor: Anastasio Gamarra
Freio de Prata — Pacifico Cupertino Corazon, com o ginete Gabriel Marty. Criador e expositor: La Pacifica
Freio de Bronze — Patronato Cala Bassa-TE com o ginete Zeca Macedo Criador: Marcelo Móglia. Expositor: Condomínio Patronato
Freio de Alpaca — Capanegra Espartano com o ginete Eduardo Quadros. Criador: Fernando Pons. Expositor: Parceria Espartano
Fêmeas
Freio de Ouro — Oferenda da Tamanca, com o ginete Ricardo Wrege. Criador e expositor: Lauro Terra e filhos
Freio de Prata — Iluminada do Rio Negro, com o ginete Ricardo Wrege. Criador e expositor: Gustavo Camponogara
Freio de Bronze — Capanegra Doña Guinda-te, com o ginete Eduardo Quadros. Criador e expositor: Fernando Pons
Freio de Alpaca — Belle Porcelana, com o ginete Daniel Teixeira. Criador e expositor: Elizabeth Lemanski




