
A produção gaúcha de grãos deve chegar a 35,6 milhões de toneladas na safra de verão 2026/2027, conforme estimativa da Emater apresentada nesta terça-feira (1º), durante a 49ª Expointer, em Esteio. O volume representa alta de 8,6% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 32,8 milhões de toneladas.
A soja, principal cultura da agricultura gaúcha, deve responder por 21,15 milhões de toneladas da produção. A estimativa representa crescimento de 15,3% em relação à safra passada, quando foram colhidas 18,34 milhões de toneladas. A recuperação ocorre mesmo com uma redução de 0,9% na área plantada, que deve passar de 6,7 milhões para 6,65 milhões de hectares.
No conjunto das quatro principais culturas consideradas pela Emater — soja, milho, arroz e feijão 1ª safra — a área plantada deve permanecer praticamente estável, com uma redução de 0,37%, de 8,46 milhões para 8,43 milhões de hectares. A expectativa de aumento da produção, portanto, está relacionada principalmente à perspectiva de melhores resultados por hectare.
Milho também deve crescer
O milho aparece como outro destaque positivo. A área plantada deve chegar a 896,4 mil hectares, alta de 7,4% em relação aos 834,4 mil hectares do ciclo anterior. A produção projetada é de 6,91 milhões de toneladas, crescimento de 7,2%.
No arroz, por outro lado, a Emater projeta redução tanto na área quanto na produção. O cultivo deve ocupar 861,8 mil hectares, queda de 3,4%, enquanto a colheita estimada é de 7,53 milhões de toneladas, 5,5% abaixo do ciclo anterior.
A primeira safra de feijão também deve ter redução na área plantada, de 6,4%, para 24,6 mil hectares. Mesmo assim, a produção deve crescer 1,2%, para 43,2 mil toneladas.
Clima será determinante
Os prognósticos de clima foram apresentados pelo meteorologista Flávio Varone, do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro) da Secretaria da Agricultura.
Conforme o meteorologista, o fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e pelo aumento no volume e frequência de chuvas no sul do Brasil, começou a se estabelecer em agosto e deve se estender até o primeiro trimestre de 2027, com alta probabilidade de forte intensidade. Para a primavera (setembro, outubro e novembro), a previsão aponta aumento de umidade e temperatura acima do normal em todo o RS, com precipitações acima da média e sem previsão de geadas tardias.
Embora garanta maior disponibilidade hídrica, o excesso de chuvas e a menor luminosidade podem trazer impactos para a safra de verão, como atraso na semeadura, aparecimento de doenças e dificuldades nas operações de campo.
A expectativa climática será especialmente acompanhada pelos produtores depois de sucessivos ciclos marcados por eventos extremos no Rio Grande do Sul.
Segundo Mateus Soares da Rocha, diretor técnico da Emater/RS e superintendente técnico da Ascar, a projeção atual reflete um ciclo positivo:
— Estamos entrando numa terceira safra favorável, o que é muito positivo para o caminho da autossuficiência do Rio Grande do Sul. Na soja, temos diminuição de área, mas aumento de produtividade. O cenário do El Niño nos preocupa, mas traz a vantagem da disponibilidade hídrica. Apesar disso, ele nos traz a necessidade de pensarmos no manejo de solo e de água na propriedade. Ter um solo adequado e preparado é essencial para qualquer cultura — avaliou Rocha.
A divulgação dos dados também foi acompanhada pelo secretário da Agricultura, Marcelo Madalena, e pelo secretário de Desenvolvimento Rural do RS, Gustavo Paim, representando o governo do Estado.
