A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Agricultura, André de Paula, geraram reclamações do setor rural na abertura oficial da 49ª Expointer nesta sexta-feira (4), em Esteio. Enfrentando endividamento elevado, os produtores aguardavam com expectativa o anúncio de medidas de socorro.
A frustração foi maior porque André de Paula havia visitado a Expointer na quarta-feira (2), mas retornou a Brasília no mesmo dia. Para representar o governo federal, permaneceu no Estado a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiavelli.
Em seu discurso, o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, citou que, a despeito de sucessivas estiagens e da enchente de 2024, a pecuária vive um bom momento e que o Rio Grande do Sul tem o menor número de produtores inadimplentes. Lopes ressaltou a contribuição do agronegócio para o PIB, cobrou soluções para o endividamento e criticou a ausência de Lula.
— O agro não deixa o país entrar em recessão. Por isso nossa inconformidade e insatisfação com a ausência do presidente e do vice-presidente. Nada, hoje, é mais importante do que estar na Expointer — ressaltou Lopes.

O presidente da Farsul citou a passagem pela feira de quatro candidatos à Presidência. Ao final, citou as eleições de outubro, pedindo que os eleitores escolham candidatos que defendam a propriedade privada e o Estado mínimo.
Em resposta, a ministra do Desenvolvimento Agrário destacou os investimentos do governo no agronegócio e na agricultura familiar. Segundo Fernanda, a União destinou R$ 1,3 trilhão para as diferentes modalidades do Plano Safra no atual governo e abriu 600 novos mercados para a produção primária.
— Se houvesse Estado mínimo, nosso companheiro da Farsul, não havia seguro rural, Plano Safra. Defendemos um Estado capaz de apoiar quem trabalha — afirmou a ministra.
Apesar das críticas e respostas, o ambiente na abertura da Expointer foi mais tranquilo do que na edição do ano passado, quando produtores rurais e políticos de direita fizeram um protesto ruidoso, vaiando o então ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e o governador Eduardo Leite. No momento dos discursos desta sexta-feira, grande parte da plateia já havia deixado a pista central.
No encerramento da cerimônia, Leite celebrou a força da produção rural, citou os desafios do setor por ter enfrentado secas e enchentes e também fez críticas ao governo federal. Ao se referir aos financiamentos ao agronegócio, criticou a taxa de juros.
— Cada vez mais, uma parte menor é de juros equalizados e uma parte maior, de juros de mercado. Os juros não são menores porque o governo não ajusta as contas públicas — disse Leite.
A abertura oficial da Expointer contou com o tradicional desfile dos campeões, homenageou os 400 anos das Missões e o compositor nativista Bagre Fagundes, morto em agosto.




