
Dando à largada às programações da 49º Expointer e já em clima de eleições, o Grupo RBS realizou nesta sexta-feira (28) um painel temático sobre o agronegócio com candidatos ao governo do Estado. Mediado pela comunicadora Rosane de Oliveira, o bate-papo reuniu Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB), além de representantes do setor.
O evento também marcou a abertura da Casa da RBS na Expointer 2026. A feira começa neste sábado (29) e vai até o próximo domingo (6).
Presidente do Conselho de Gestão e publisher do Grupo RBS, Nelson Sirotsky fez as honras da casa e reafirmou o compromisso do Grupo de promover uma escuta ativa da sociedade, dando visibilidade a pautas prioritárias para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul.
O painel
A comunicadora e colunista de agronegócio do Grupo RBS, Gisele Loeblein, abriu os trabalhos do painel com uma pergunta geral a todos os candidatos. Os postulantes ao Piratini foram provocados a falar sobre onde buscar recursos para ampliar a irrigação no Rio Grande do Sul. Cada um teve três minutos para explanações.
Primeira sorteada a responder, Juliana Brizola afirmou que as propostas passam por prorrogar o Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) e por articular em Brasília mais recursos de ajuda, como uso de fundo constitucional. As medidas, segundo a candidata, dariam maior segurança aos agricultores.
Luciano Zucco aproveitou sua fala para dizer que o Rio Grande do Sul é o Estado que menos cresce nos últimos 20 anos. Disse que é necessário olhar para pautas que estão travadas, como as relacionadas ao licenciamento ambiental. O candidato também comentou sobre a necessidade de se criar um fundo constitucional junto ao governo federal para uso do Estado.
Gabriel Souza falou da importância da irrigação e disse que é necessário aumentar a segurança do produtor rural, com políticas públicas que permitam ao agricultor investir na produção. Entre elas, Souza mencionou programas já realizados, como o Terra Forte, e a prorrogação do Funrigs para viabilizar "o maior programa de irrigação do Rio Grande do Sul".
Marcelo Maranata disse que, com a irrigação, é possível dobrar a produção agrícola estadual. Porém, reforçou que o endividamento do agricultor gaúcho impede de pagar safras passadas e fazer novos investimentos. O candidato reforçou a necessidade de recursos para fomentar o setor agropecuário.
Em seguida, entidades previamente selecionadas de diferentes setores do agronegócio fizeram novas rodadas de perguntas. Os candidatos foram sorteados na hora para cada resposta.

Melhorias na casa da Expointer
Presidente da Associação Brasileira de Cavalos Crioulos (ABCC), André Luiz Narciso Rosa perguntou sobre o projeto de evolução e melhoria do parque Assis Brasil, onde ocorre a Expointer. Marcelo Maranata foi o sorteado para responder. O candidato disse que não se faz melhorias sem recursos e que é preciso ver o parque como potencial de vitrine do agronegócio gaúcho. Disse que uma gestão adequada, governança e investimentos do Banrisul é o que podem transformar a casa da Expointer.
Fomento à pecuária
Presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Antonia Scalzilli perguntou sobre os planos de política para fomentar a pecuária como potencial de desenvolvimento no Rio Grande do Sul. O sorteado a responder foi Gabriel Souza. O candidato disse que é preciso trabalhar o tema em três frentes: apoio ao produtor, com incentivo à comercialização no mercado doméstico e alongamento da cadeia pecuária; fomento à indústria de processamento; e abertura de novos mercados. Por fim, Souza disse que o secretário de agricultura de seu governo terá perfil técnico.
Competitividade agrícola
Presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes questionou sobre as políticas de recuperação da competitividade dos produtos agrícolas gaúchos, como o arroz, no qual o RS lidera em produção. Luciano Zucco foi o sorteado para responder. O candidato disse que a logística é um dos empecilhos para a falta de competitividade, devido às dificuldades no escoamento de safra e outros produtos. Para isso, o candidato disse que serão duplicadas rodovias e que próximas concessões serão discutidas com os prefeitos para viabilizar melhorias em infraestrutura.
Olhar à ovinocultura
Presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Edemundo Ferreira Gressler perguntou sobre os planos de governo que contemplam a ovinocultura. Juliana Brizola respondeu afirmando que o Estado não pode ser um entrave ao desenvolvimento. Falou da necessidade de maior incentivo via recursos e diálogo com o setor para entender as dificuldades. A candidata citou articulações feitas por Estados da Região Norte do país como exemplo para angariar recursos ao Rio Grande do Sul.
Recursos para irrigação
O presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no RS (Simers) e da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Cláudio Bier perguntou sobre a viabilidade de se criar um "Fundopem da Irrigação". Gabriel Souza foi o sorteado para responder. O candidato disse ser favorável à proposta, mas mencionou a reforma tributária em vias de entrar em vigor e a redução da arrecadação de ICMS como entraves. Para isso, voltou a defender a ampliação do Funrigs para fomentar a atividade agrícola.
Incentivo à vitivinicultura
Representando o Consevitis-RS, Luciano Rebellatto indagou o que o governo pretende fazer para desenvolver a vitivinicultura no Rio Grande do Sul. Juliana Brizola foi a sorteada para responder e iniciou sua fala mencionando a importância do setor para a economia e o turismo do Estado. Ela voltou a falar da necessidade de diálogo aberto e construção conjunta para entender as demandas dos produtores sobre preço e tributação.
Incentivo ao cooperativismo
Presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Sistema Ocergs), Darci Hartmann perguntou quais as políticas públicas focadas em recuperar solos, em atenuar a reforma tributária e em incentivar a operação das cooperativas. Marcelo Maranata falou da importância de se buscar maior valor agregado da produção gaúcha, citando como exemplo o desenvolvimento econômico da região norte do Estado, liderada por Passo Fundo.
Competitividade do leite
Presidente do Sindicato da Indústria dos Laticínios do RS (Sindilat-RS), Guilherme Portella perguntou o que o candidato a governador pretende fazer para recuperar a competitividade do leite com a nova reforma tributária. Luciano Zucco respondeu afirmando que o setor terá uma nova mesa de diálogo, com presença forte em Brasília. O candidato disse que é preciso proteger o setor leiteiro, especialmente frente a outros Estados e países produtores na América Latina.

Apoio à agricultura e pecuária familiar
Presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag-RS), Eugenio Zanetti perguntou quais serão os compromissos do novo governo para ampliar a renda e o desenvolvimento no meio rural. Novamente sorteado para a resposta, Luciano Zucco iniciou sua fala mencionando a dificuldade financeira dos agricultores gaúchos. Disse que é preciso votar contra à MP federal que trata do endividamento rural e retomar os debates sobre a securitização de dívidas.
Atratividade dos produtos da pecuária
Representando a Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça, o presidente Marcos Tang questionou sobre qual a medida que será trazida para ampliar a atratividade dos produtos pecuários gaúchos, do mel à carne. Sorteado para a resposta, Gabriel Souza disse que é preciso abrir mercado. O candidato citou o papel da Invest-RS como agência de desenvolvimento para captar recursos e competitividade à produção do Estado.
Invasão de terras
Presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Domingos Velho Lopes trouxe como tema a proteção à propriedade privada, perguntando como o governo agirá em relação a eventuais invasões de terra. Juliana Brizola respondeu afirmando que priorizará em seu governo a segurança jurídica, o cumprimento de contratos e a previsibilidade. Disse ainda que respeitará as regras de desocupação nos prazos hoje cabíveis, viabilizando também o diálogo.
Alternativas para a indústria de carnes
Representando o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen citou a ociosidade das plantas frigoríficas do Estado e perguntou o que o novo governo fará para fortalecer a pecuária e a indústria gaúcha. Marcelo Maranata respondeu voltando a falar na importância de políticas e linhas de crédito que confiram valor agregado à produção do Rio Grande do Sul. Antes, citou as contas públicas do Rio Grande do Sul e a evasão de gaúchos para outros Estados entre as dificuldades postas para o desenvolvimento.
Compromissos com o setor
Para encerrar o painel, a colunista Rosane de Oliveira perguntou aos candidatos qual o seu compromisso número um com o agronegócio. Novamente, os postulantes responderam por ordem de sorteio, com dois minutos para cada um.
Luciano Zucco iniciou a rodada afirmando que a sua prioridade será resolver o endividamento rural do agricultores gaúchos. O candidato disse que um plano de Estado é necessário para viabilizar as demandas e as urgências do setor.
Para Juliana Brizola, a prioridade será fomentar a industrialização das agroindústrias gaúchas, bem como a proteção das cadeiras produtivas. A candidata disse que terá como compromisso o diálogo e o auxílio às políticas de financiamento.
Gabriel Souza respondeu que terá como compromisso tornar o agro mais competitivo. Para isso, quer proteger as lavouras, resolver o endividamento e alongar as cadeias produtivas nas mais diversas culturas e proteínas animais.
Encerrando o painel, Marcelo Maranata falou da importância do agronegócio para a economia como um todo, e como compromisso disse que o setor terá "uma cadeira ao seu lado", com espaço aberto para discutir as demandas do setor.
Programação na feira
A agenda do Grupo RBS na 49ª Expointer conta com ampla cobertura editorial, transmissão de programas e eventos institucionais, como a tradicional cerimônia do Troféu Guri. Durante a feira, serão realizadas 12 edições do Campo em Debate, que propõem discussões sobre temas relevantes para o agronegócio.





