
A cerimônia de abertura da Expointer de 2025 foi marcada por um protesto ruidoso de um grupo de produtores rurais. A manifestação, encorpada por políticos de direita, teve por mote o pedido de auxílio à renegociação de dívidas de agricultores.
A despeito do anúncio do governo federal de liberação de R$ 12 bilhões para o setor, os dois ministros do governo Lula, do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, e da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, foram vaiados pelos manifestantes. O mesmo ocorreu com o governador Eduardo Leite.
Último a falar na solenidade, Leite ouviu apupos durante quase todos os seis minutos do discurso, mesmo já tendo se posicionado a favor do uso de recursos do fundo social para renegociação de dívidas.
Sem deixar-se interromper, o governador enfrentou as vaias e creditou-as à tentativa de aproveitamento político do movimento dos agricultores.
Infelizmente existe uma tentativa de capturar politicamente o que é legitimo dos nossos produtores. Embora haja manifestação legítima, estamos vendo um movimento de tentativa de captura política que não colabora com a luta justa.
EDUARDO LEITE
Governador do Estado
Depois, em tom de desabafo, Leite recordou de outros episódios em que foi vaiado.
— Fui vereador em Pelotas e, sob vaias, virei prefeito. Como prefeito, tomei vaia na Fenadoce e virei governador. Depois, fui vaiado na frente do Palácio Piratini e fui o primeiro governador reeleito da história do Estado. E com a vaia de vocês vou seguir em frente na minha carreira política para defender o que é certo e o que é justo — bradou, colhendo aplausos da tribuna e ainda mais vaias da plateia.
Ministros também reagem

Antes de Leite, os dois ministros presentes também responderam às vaias recebidas. Paulo Teixeira disse que as vaias "são próprias de um país que vive na democracia".
— Se tivesse (se concretizado) o golpe de 8 de Janeiro, não estaríamos aqui podendo anunciar o que estamos anunciando hoje.
Mesmo com o detalhamento da liberação de recursos, repetido pelos ministros, as vaias não cessaram.
Em tom monocórdio, Fávaro foi o único a ser interrompido pelos manifestantes.
— Entendo as manifestações, mas peço respeito. O povo gaúcho é resiliente, trabalhador e sempre foi respeitoso. Quando se perde o respeito, se perde a dignidade e a razão — ponderou.
Nem mesmo líderes de entidades setoriais da Agricultura, como Carlos Joel da Silva (Fetag) e Gedeão Pereira (Farsul) escaparam de murmúrios quando mencionaram o anúncio federal. No entanto, ambos foram aplaudidos ao mencionar as demandas dos produtores.
Além de vaias, coroas de flores e balões pretos

A preparação para a manifestação dos produtores começou cedo, com a fixação de faixas pedindo a securitização das dívidas e a aprovação do projeto de lei do Congresso que libera R$ 30 bilhões para o setor. Também foram levados 28 coroas de flores e balões pretos, simbolizando agricultores que teriam perdido a vida em razão das dívidas.
Durante a cerimônia, políticos se juntaram ao ato. Entre eles, os deputados federais Luciano Zucco (PL), Giovani Cherini (PL) e Marcel Van Hattem (Novo), o deputado estadual Capitão Martim (Republicanos), a secretária do Desenvolvimento Econômico de Porto Alegre, Fernanda Barth (PL), a vice-prefeita Betina Worm (PL) e o ex-candidato a prefeito de Pelotas Marciano Perondi (PL).
Em meio aos protestos, foram entoados cânticos críticos ao presidente Lula e ao governador Eduardo Leite.
"Apartidário", diz organizador
Um dos organizadores do ato, o empresário Arlei Romero, suplente de vereador pelo PP em Porto Alegre, garante que o movimento é apartidário e não tem vinculação política.
É um movimento apartidário, orgânico, organizado pelos produtores rurais. Os políticos, assim como todos que estão participando ali, têm liberdade de ir e vir e estavam ali no meio porque provavelmente não estavam se sentindo bem lá na tribuna.
ARLEI ROMERO
Empresário e suplente de vereador pelo PP em Porto Alegre
Sobre os gritos contra Lula e Leite, atribuiu ao fato de serem as pessoas "que têm responsabilidade constitucional de atender às demandas da sociedade".
— Se eles fizerem o que tem que fazer, obviamente em vez de vaia receberão aplausos — afirmou, salientando que o recurso liberado nesta sexta é insuficiente.

