
Buscar alternativas que unam a sustentabilidade e segurança energética é um dos principais desafios enfrentados pelos setores produtivos do país hoje, sobretudo o agronegócio. No Rio Grande do Sul, o setor representa 40% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo o sexto maior produtor agropecuário do país.
O Estado também se destaca nas exportações, que alcançaram US$ 1,39 bilhão em julho. Para escoar essa produção, o setor utiliza principalmente o modal rodoviário, que responde por 65% das exportações movimentadas no país.
Embora os caminhões movidos a diesel ainda predominem nas estradas, o cenário de transição energética abre espaço para outras alternativas. Empresas de diferentes setores têm voltado seus investimentos para opções capazes de acelerar a descarbonização do transporte pesado.
Entre as alternativas que ganham espaço na transição energética estão o gás natural e o biometano. Compatíveis com a mesma infraestrutura de distribuição e abastecimento, os dois energéticos podem atuar de forma complementar na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).
Produzido a partir de resíduos orgânicos, o biometano permite transformar passivos ambientais em energia, fortalecendo uma cadeia de economia circular.
Já o gás natural desempenha um papel estratégico na transição por aliar menor intensidade de emissões em relação a outros combustíveis a uma infraestrutura de distribuição já consolidada. Isso permite atender diferentes setores da economia com fornecimento contínuo e confiável, contribuindo para a segurança energética enquanto fontes de menor intensidade de carbono ampliam sua participação na matriz.
O engenheiro e gerente-executivo comercial da Sulgás, Douglas Becker, explica que com a combinação dos dois energéticos, a emissão de gases do efeito estufa pode chegar a 80%.
— O mercado gaúcho apresenta uma oportunidade importante para o biometano, considerando o potencial de produção associado às atividades agropecuárias e agroindustriais. Para o transporte de cargas, o mix de gás natural e biometano garante a eficiência da operação e a redução das emissões. — diz.
No Rio Grande do Sul, essa infraestrutura vem sendo ampliada pela Sulgás, com investimentos na expansão da rede e em novas soluções de suprimento, criando condições para que o gás natural chegue a novas regiões e, ao mesmo tempo, preparando o sistema para uma participação cada vez maior do biometano.
Apoiando o agronegócio
A Sulgás atua como parceira da usina de biometano. Uma das alternativas é a estruturação para o recebimento da produção da planta. A usina injeta o gás renovável na rede da Sulgás, que leva o energético até os consumidores de forma contínua.
Exemplo disso, como ressalta o gerente de Suprimento de Gás de Planejamento da Sulgás, Marcos Gonçalves, é o desenvolvimento do primeiro hub de biometano do Rio Grande do Sul, o BioHub. A expectava é que o centro esteja em funcionamento em 2027.
— Teremos em Esteio um ponto único de injeção do biometano, no qual os diferentes produtores espalhados pelo Estado poderão levar o gás renovável para injetar na rede de gasodutos da Sulgás, que levará o energético até os consumidores— explica.
O desenvolvimento do BioHub e de gasodutos conectados a plantas de biometano, como o projeto da empresa parceira Bioo — Plataforma de Biossoluções, em Triunfo, demonstra a relevância do tema. Os bioprodutos da Bioo são originados a partir da biodigestão de resíduos orgânicos, processo que transforma matéria orgânica em soluções renováveis.
O diretor Comercial e Novos Negócios da Bioo, Luis Guilherme Andrade, explica que a operação produz três principais bioprodutos: biometano (combustível renovável com as mesmas características do gás natural); CO₂ biogênico grau alimentício (com aplicações nas indústrias de alimentos, bebidas, setores metalmecânico e de extintores) e biofertilizante (obtido a partir do digestato remanescente do processo, contribui para a nutrição das plantas, retenção de umidade e melhoria da estrutura e da saúde do solo, podendo ser aplicado em culturas como soja, milho, aveia, azevém e pastagens).
— A combinação entre o tratamento adequado de resíduos da agroindústria (não gerando passivos ambientais) e a produção de bioprodutos que podem ser aplicados em diferentes condições é o que define o conceito de plataforma de biossoluções, ou seja, a transformação de um potencial passivo em soluções ambientalmente sustentáveis — diz Andrade.
Potencial produtivo
Para viabilizar a transição do diesel para alternativas mais sustentáveis no transporte pesado, é necessário ampliar os investimentos em infraestrutura no Estado a longo prazo. A Sulgás atua nesse processo por meio de parcerias com postos de abastecimento localizados nas principais rotas logísticas, formando os chamados Corredores Verdes. Nesses pontos, são disponibilizados bicos de abastecimento de alta vazão para caminhões.
A demanda por soluções vem crescendo no Estado, como avalia Douglas Becker, especialmente entre empresas que já incorporam critérios ambientais às suas estratégias de negócio e que buscam reduzir as emissões de suas operações.
— Trata-se de um segmento em franca expansão, e a Sulgás está ativamente contribuindo por meio de investimentos em projetos que coloquem o RS em um lugar de protagonismo na transformação energética do transporte pesado nacional — finaliza.




