
Um encontro entre tradição e inovação. Assim foi definida, nesta terça-feira (1º), em mais uma edição do Campo em Debate, na Casa da RBS, na Expointer, a evolução do agronegócio, que combina herança e tecnologia para avançar em sustentabilidade e maturidade digital e ampliar a competitividade.
Entre os debatedores do painel “100 anos de tecnologia e inovação” — formado por Francisco Matturro, presidente-executivo da Rede Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), e Mayra Theis, sócia-líder de Agronegócio da PwC Brasil — estava o representante de uma empresa centenária.
Coube a Cláudio Guenther, presidente da Stihl Latam, contar a história de uma companhia global, fundada em 1926, mas que também carrega um pouco do orgulho dos gaúchos. Isso porque o Rio Grande do Sul foi escolhido, há 53 anos, para receber a primeira fábrica da empresa fora de seu país de origem, a Alemanha. E a escolha não foi por acaso, revela o executivo:
— A primeira unidade externa ter sido aqui foi uma escolha pela mão de obra qualificada e pelas universidades que já existiam e que ainda temos na região.
Guenther lembra que, quando Andreas Stihl criou uma motosserra para facilitar o trabalho nas florestas, estava, de fato, lançando as bases para que, um século mais tarde, a empresa deixasse de ser apenas fabricante de um equipamento e se transformasse em uma companhia presente em 160 países. Ao todo, são oito unidades de produção, 20 mil colaboradores, 40 subsidiárias comerciais, cem importadores e aproximadamente 50 mil pontos de venda no mundo.
Desde agosto de 2025, comenta, a operação brasileira passou a responder também pela América Latina. Atualmente, são 126 produtos comercializados no país, dos quais 19 são fabricados no Brasil e vendidos para 72 parceiros comerciais. O negócio que nasceu na floresta investiu, no ano passado, 336 milhões de euros em produtos para o agronegócio, a agricultura familiar e a construção civil. Para Guenther, essa capacidade de se transformar ao longo do tempo é uma das razões da longevidade da companhia.
— Tecnologia nenhuma funciona sem gente. Nós só conseguimos crescer investindo em pessoas — declarou, ao informar que a Stihl mantém programas de formação e inclusão, além de contar com o auxílio de universidades no desenvolvimento de soluções sustentáveis.

Inovação que transforma
Em comum, as histórias abordadas no painel tinham a inovação como ferramenta de adaptação aos novos tempos. Para o presidente-executivo da Rede ILPF e vice-presidente da Abag, Francisco Matturro, a agricultura brasileira é resultado de sucessivas revoluções tecnológicas, com papel de destaque para o Rio Grande do Sul, em razão das práticas agrícolas trazidas pelos imigrantes europeus.
Um dos grandes marcos, segundo o executivo, foi a expansão do plantio direto, que promoveu uma mudança nas técnicas de manejo do solo a partir da década de 1970. Mais recentemente, desde 2006, a consolidação da integração lavoura-pecuária-floresta uniu pesquisa, tecnologia e trabalho. Esse processo contribuiu para um aumento de 580% na produtividade, diante de um incremento de apenas 140% na área plantada.
Além disso, os números revelam que o país produz em 10% de seu território, o equivalente a 92 milhões de hectares agricultáveis, enquanto outros 246 milhões de hectares, ou o equivalente a 65% da área total, permanecem preservados.
— Se produzíssemos hoje com a tecnologia do passado, já teríamos derrubado a Amazônia — argumentou, ao destacar os efeitos benéficos da tecnologia para o meio ambiente.
Para Matturro, esse dado precisa fazer parte da imagem que o Brasil apresenta ao mundo.
O painel ainda contou com depoimentos da Granja 4 Irmãos, do projeto BeeVolt e da Dairy Tech.



