
Considerada a terceira maior oleaginosa do mundo em volume de produção, a canola ocupa hoje 395 mil hectares no Rio Grande do Sul, conforme a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola). O bom momento do setor e as possibilidades de impulsionar ainda mais a produção foram temas do Campo em Debate promovido pelo Grupo RBS na Expointer nesta segunda-feira (31).
Mediado pela jornalista Gisele Loeblein, o painel contou com a presença do presidente da Abrascanola, Vantuir Scarantti; do diretor de Relações Institucionais da entidade, Luiz Gustavo Floss; do presidente da FecoAgro-RS, Adriano Borghetti; e do presidente da Acebra e da Aprobio, Jerônimo Goergen.
Além dos painelistas, o debate teve a participação do diretor da Celena Alimentos, Emilio Figer; do vice-presidente de Operações da 3tentos, Luiz Augusto Dumoncel; do gerente de Canola e Carinata para Brasil e Paraguai da Nufarm, Philipp Herbst Minarelli; e de outros agentes do setor produtivo.
A canola registrou um avanço expressivo em área cultivada a partir de 2022. Em 2020, a cultura ocupava aproximadamente 80 mil hectares no Rio Grande do Sul. Segundo o presidente da Abrascanola, parte desse crescimento se deve ao entendimento da associação sobre a necessidade de aprimorar a genética da cultura, investir em tecnologia e fortalecer a industrialização do setor.
— Hoje posso afirmar que o Rio Grande do Sul está pronto para chegarmos a mais de 1 milhão de hectares de canola antes de 2030, porque investimos na semente, no fertilizante, na tecnologia e na indústria — diz Scarantti.
A canola tem diferentes aplicações. A partir dos grãos, é possível produzir alimentos, como o óleo de canola, fonte de ômega 3; farelo utilizado na alimentação animal, devido ao teor de proteínas; e biocombustíveis, nos quais a oleaginosa é utilizada como matéria-prima para a fabricação de combustíveis renováveis.
Scarantti ressalta que, ao pensar na expansão da cultura, é preciso atender prioritariamente à demanda por alimentos e, paralelamente, avançar na produção de combustíveis. Segundo ele, o Rio Grande do Sul já assumiu protagonismo na cadeia da canola ao abastecer outras regiões do país.

Rentabilidade no campo
A canola deixou de ser considerada uma cultura secundária para se tornar uma alternativa rentável no inverno. De acordo com o diretor de Relações Institucionais da Abrascanola, a necessidade de ampliar a renda e enfrentar o cenário de endividamento torna ainda mais importante a ocupação das áreas agrícolas durante essa época do ano.
— O que está mudando é a mentalidade do produtor, que passa a ver a cultura como uma alternativa importante. A gente sabe que, em todas as culturas que começaram pequenas, existe um determinado momento em que ocorre a virada, e é isso que está acontecendo com a canola — diz Floss.
A Abrascanola mantém uma relação de parceria com outras entidades ligadas à cadeia produtiva. Para os próximos anos, a expectativa é de que a cultura receba cada vez mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
— Tivemos uma mudança importante nestes últimos anos com relação à produtividade. E, quanto mais pessoas estiverem envolvidas com a parte de pesquisa, mais fortalecimento haverá para toda a cadeia — complementa.
Durante o debate, o presidente da Abrascanola anunciou, em conjunto com a Secretaria da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, a data de abertura oficial da colheita nacional da canola. O evento será realizado em 13 de outubro, em Ijuí, durante a Expofest.

