
A agricultura familiar é uma das forças que impulsionam o Rio Grande do Sul. Durante a 49ª Expointer, iniciada neste sábado (29) e com programação até domingo (6), esse modelo produtivo ganha ainda mais visibilidade.
No Pavilhão da Agricultura Familiar, 509 expositores de 218 municípios apresentam ao público produtos artesanais, autênticos e de qualidade, reforçando a diversidade e a relevância da produção familiar no Estado.
De Jóia, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul, Edemir Valsoler participa da feira como expositor desde 2014. Integrante de uma família de agricultores de queijos, ele é proprietário, junto com seus familiares, da Agroindústria Camponês. Para a Expointer, trouxeram queijos premiados no Brasil e no Exterior, além de outros laticínios, como sorvete e doce de leite.
A tradição queijeira transmitida pelos pais de Valsoler hoje segue com seu filho, levando a família à terceira geração dedicada à produção de laticínios. Ciente das dificuldades enfrentadas no campo para garantir a sucessão familiar, o agricultor celebra o empenho do filho em dar continuidade ao negócio.
Para Valsoler, estar no Pavilhão da Agricultura Familiar também tem um significado especial pela relação construída ao longo dos anos com os clientes, o que torna a participação na Expointer ainda mais prazerosa.
— O lado econômico é importante, mas só isso não resolve. É essencial a valorização dessa cadeia e da venda direta do produto para o consumidor; do consumidor vir, provar e levar para casa um produto de ótima qualidade. Há muito empenho, amor e carinho por trás de cada produto. Não é só alimento, é saúde para as pessoas que consomem, que vivem na cidade e não têm a oportunidade de produzir, mas têm a oportunidade de vir aqui na Expointer conhecer e levar para casa — diz o agricultor.
Quem será o agricultor do futuro?

Nesta edição da Expointer, o Pavilhão da Agricultura Familiar reúne 400 empreendimentos de agroindústria, 74 de artesanato — incluindo oito indígenas e três quilombolas — e 28 de plantas, mudas e flores. Também estão envolvidos 265 jovens na sucessão dos empreendimentos, enquanto 179 mulheres estão à frente dos negócios.
Dar visibilidade às famílias que atuam na agricultura familiar, especialmente aos jovens, é uma das principais motivações da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS). O presidente da entidade, Eugênio Zanetti, destaca que, para manter as novas gerações no campo, é fundamental garantir renda e qualidade de vida. Segundo ele, o Pavilhão da Agricultura Familiar é a maior vitrine gaúcha do setor.
— Percebemos isso, por exemplo, na produção de geleias. Às vezes, a receita vem da avó ou da mãe, e o jovem vai agregando valor, tecnologia, aprimorando o marketing e a identidade visual dos produtos, melhorando cada vez mais a qualidade. É um trabalho bem gratificante e temos incentivado cada vez mais isso — diz o presidente.
Segundo Eugênio, o último Censo Agropecuário mostra que apenas 2% das pessoas que vivem no meio rural têm menos de 25 anos. Para o presidente, o índice acende um alerta e levanta uma questão importante: quem será o agricultor do futuro?
— Por isso, a agricultura familiar precisa agregar valor aos seus produtos e encurtar as cadeias. Quem produz está aqui vendendo direto para o consumidor. Às vezes, não se vende só um produto: é uma história, é o sonho de uma família. Isso tem cativado cada vez mais o público urbano, porque todo mundo tem uma memória afetiva de uma geleia, de um salame ou do queijo da avó. É muito bacana ver na feira esse trabalho que nós incentivamos na FETAG — diz Zanetti.
Altas expectativas

Participar da Expointer e expor os produtos na feira é apenas uma das etapas de um processo que envolve muitas mãos na agricultura familiar. De Anta Gorda, no Vale do Taquari, Letícia Furlanetto veio à feira para representar a produção de sua família.
Uma das proprietárias do Um Cafuné, empreendimento especializado em produtos artesanais à base de noz-pecã, Letícia diz estar animada com esta edição do evento. Esta é a terceira Expointer da qual participa, e a expectativa de ampliar as vendas é grande.
— Estar aqui tem um significado muito importante para nós, pois permite o contato direto com o consumidor final. A feira também oferece a oportunidade de apresentar nossos produtos para degustação, para que as pessoas possam conhecê-los melhor e avaliar se gostam — completa.



