
Responsável por alimentar grande parte da população do país, a agricultura familiar é construída todos os dias pelas mãos de pais, mães, filhos e filhas no Rio Grande do Sul. Na 49ª Expointer, o Pavilhão da Agricultura Familiar reuniu mais de 500 expositores, que aproveitaram a feira para apresentar seus produtos. O modelo produtivo já é um sucesso, mas ainda existem caminhos para ampliar a renda no campo, sobretudo entre os mais jovens, que buscam alternativas para permanecer nas propriedades.
O turismo rural desponta como uma das oportunidades. Com realização da Fiat e apoio da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS), o Campo em Debate da quinta-feira (3) destacou na Casa da RBS na Expointer o potencial do turismo rural como alternativa para o setor.
Além da mediação da jornalista Gisele Loeblein, a conversa contou com a participação do presidente da FETAG-RS, Eugênio Zanetti; da professora da Universidade de Brasília (UnB) e integrante do Centro de Excelência em Turismo, Tainá Zanetti; da ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli; e do secretário de Desenvolvimento Rural do RS, Gustavo Bohrer Paim.
Promover e, principalmente, incentivar rotas de turismo rural no Rio Grande do Sul está entre as missões da FETAG-RS, destaca Zanetti. Segundo o presidente, essa é uma área que precisa receber mais estímulo, pois pode ampliar a autonomia financeira das propriedades. Para ele, a pequena propriedade que não agrega valor aos seus produtos tende a enfrentar mais dificuldades para se manter sustentável.
— O turismo rural permite comercializar não apenas os produtos das nossas agroindústrias, mas também as experiências oferecidas nas propriedades. Muitas vezes, é possível valorizar o que já existe no local. Esse é um trabalho muito gratificante, e queremos divulgar e estimular cada vez mais essa prática.

Território de possibilidades
O meio rural oferece diferentes caminhos para ampliar a renda dos produtores, e o turismo aparece como uma dessas alternativas. Segundo Tainá Zanetti, professora da UnB, 67% dos empreendimentos da agricultura familiar veem a atividade como uma oportunidade e já a utilizam, em muitos casos, como complemento de renda.
— O agricultor familiar nunca dependeu de uma cultura só, nunca plantou apenas uma coisa; ele sempre dividiu os ovos da galinha em várias cestinhas. Então, o seu métier é fazer uma série de coisas para trazer renda para dentro de casa — diz a docente.
A diversidade de experiências ligadas ao meio rural mostra como a agricultura familiar pode se transformar em um importante atrativo turístico. Tainá elenca algumas possibilidades, como atividades relacionadas à produção — entre elas, colheita de frutas, vindima e ordenha — e experiências gastronômicas da fazenda à mesa. Também entram nessa lista vivências na natureza e iniciativas voltadas ao aprendizado, ao bem-estar e à cultura local, incluindo oficinas de saberes tradicionais, retiros, práticas ligadas à espiritualidade e atividades pedagógicas.
Além da criação de rotas para impulsionar o turismo rural, Tainá destaca a importância de oferecer condições para que os produtores possam viajar, conhecer outros lugares e, a partir dessas experiências, compreender como praticar a hospitalidade em suas propriedades. Para isso, precisam saber se comunicar, contar a própria história, valorizar sua trajetória e ter acesso a conhecimentos de marketing, tecnologia e inteligência artificial.



