
A inovação não se mede mais apenas pela quantidade de máquinas que chegam ao campo, pela velocidade dos computadores ou pela sofisticação dos sistemas de produção. Em meio à aceleração do processo de transformação digital, o maior ativo dos produtores rurais, hoje, é a capacidade de transformar conhecimento em respostas aos desafios e às oportunidades. Perceber isso, na avaliação do presidente do Banrisul, Fernando Lemos, representa o passo inicial em direção a um futuro que já coloca o Rio Grande do Sul em evidência.
— O principal ativo do produtor não é a máquina, são os dados que ela produz e que podem ser aplicados à produção. E o agro gaúcho é onde está a inteligência do agro brasileiro. É onde se produz a tecnologia, as sementes e a inteligência embarcada nas máquinas. Se o agro gaúcho ficar mal, o agro brasileiro afunda. E o agronegócio brasileiro é o maior ativo deste país — declarou o executivo no início de sua fala no painel Campo em Debate “O potencial do agro na era digital”, realizado na Expointer, no estande do Banrisul, nesta terça-feira (1º). Participaram representantes do setor produtivo, da agricultura familiar, do sistema financeiro e da consultoria empresarial.
Ao avançar sobre o tema, Lemos apresentou a integração entre tecnologia e crédito como uma das principais apostas para o futuro do agronegócio gaúcho. Uma das iniciativas nesse sentido é a parceria com a CCGL, por meio da plataforma SmartCoop, que já reúne 3 milhões de hectares cadastrados e 23 mil produtores. A proposta, segundo o presidente da cooperativa, Caio Vianna, é utilizar essas informações para ampliar a eficiência produtiva e a assistência técnica. Com isso, produtores de diferentes portes terão acesso às mesmas ferramentas de gestão.
Crédito guiado por dados
Para o Banrisul, a estratégia é incorporar a plataforma ao processo interno de concessão de crédito rural. As informações, explica Lemos, serão usadas para conhecer melhor cada produtor. O processo consiste em substituir análises baseadas somente em garantias por avaliações que também considerem dados sobre a capacidade produtiva, capazes de revelar a realidade de cada propriedade.
O objetivo do banco, lembra o presidente do Banrisul, não é executar garantias ou tomar máquinas e terras, mas, sim, financiar produtores capazes de gerar resultados e cumprir seus compromissos de maneira sustentável. Segundo Lemos, a nova ferramenta já nasce com potencial para que todo o crédito rural do banco esteja inserido nesse ambiente digital em até cinco anos.

Inicialmente, 250 produtores e cooperativas foram selecionados para visitas técnicas e avaliação das propriedades. A intenção é testar, corrigir e aperfeiçoar o modelo antes de ampliar seu alcance.
— Crédito rural faz a safra acontecer. Reputação faz a safra ter valor — resumiu Lemos.
Esse foi um dos pontos de convergência do painel, que reuniu diferentes visões sobre o tema. O sócio-líder de Agronegócios da Deloitte, Adilson Martins, por exemplo, destacou a importância de medir resultados e fazer com que os dados ganhem utilidade prática. Já o presidente dos Conselhos da Aprobio e da ABPA e ex-ministro da Agricultura, Francisco Turra, chamou a atenção para o valor e a competitividade do agronegócio brasileiro.
Da porteira para dentro, a 1ª secretária da Fetag-RS, Camila Rode, trouxe a juventude e a agricultura familiar para a discussão. Já Caio Vianna, presidente da CCGL, mostrou, a partir de dados de produtividade, como a informação contribui para a descoberta de oportunidades, agora também conectadas ao acesso ao crédito.





