Se as máquinas agrícolas de grande porte já pareceram inacessíveis aos pequenos e médios produtores — que são maioria no Rio Grande do Sul —, o desejo de ter alta tecnologia nas propriedades não é mais um sonho tão distante. A cada ano, crescem as opções voltadas a esse público oferecidas pela indústria, em uma aposta de mercado que combina, também, o contexto econômico dos produtores.
Na Expodireto, feira referência em inovação agrícola instalada em Não-Me-Toque, no norte do RS, as novidades tecnológicas focadas nesse segmento estão por toda parte. São máquinas menores, mas com a tecnologia das grandes, sem ficar para trás no quesito inovação.
Os modelos funcionam como estratégia das montadoras para tornar a tecnologia mais acessível aos produtores, independentemente do tamanho da produção.
No estande da Massey Ferguson, uma das grandes fabricantes presentes na feira, o foco aos pequenos e médios está nos lançamentos. Lucas Zanetti, gerente de marketing e produto da marca, diz que os modelos apresentados contemplam duas situações de produtores.
Primeiro, o produtor que não pode investir, mas que quer melhorar o seu maquinário. Para isso, tem as opções de melhora de desempenho, como as soluções de piloto automático e telemetria que podem ser acopladas em qualquer máquina. E, segundo, o produtor que precisa melhorar a sua frota. Nesse sentido, temos as máquinas menores, mas com grande tecnologia embarcada.
LUCAS ZANETTI
Gerente de marketing e produto da Massey Ferguson
São modelos que buscam ser máquinas simples e eficientes, voltados ao produtor que está renovando frota, mas que ainda prioriza o preço. Consequentemente, são máquinas mais baratas, a depender do modelo escolhido, e que vão ao encontro das necessidades financeiras locais.

Na vizinha John Deere, outra gigante do ramo presente na Expodireto, o desempenho eficiente das máquinas menos robustas também é um dos atrativos. Em alguns modelos de plantadeiras, por exemplo, a tecnologia garante desempenho operacional 15% superior, com melhora na gestão do uso de fertilizantes e de sementes.
São ajustes que, na ponta do lápis, revertem-se em economia nos custos de produção na fazenda. O cálculo de longo prazo acaba justificando os investimentos por parte dos agricultores, segundo as fabricantes.
Para o gerente comercial da marca na região Sul no país, Marcos Cassol, os lançamentos focados no pequeno e no médio produtor são um posicionamento importante de mercado. Lançamentos que antes eram reservados para outras feiras nacionais, como a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), agora são priorizados para estar mais próximos deste perfil de produtor, como é o caso da Expodireto, justamente por entender a relevância deles no setor.

Expectativas ajustadas
No início da feira, o cenário que se desenhava era de desafios aos negócios. O endividamento em alta dos agricultores, somado a outra estiagem em campo, estão entre os motivos de cautela para as expectativas de vendas do setor de máquinas.
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) divulgados antes da feira ajudaram a puxar o freio nas estimativas. A indústria projeta retração de 5% no setor de máquinas ao longo deste ano.
Nos estantes da Expodireto, contudo, o apetite dos agricultores tem aparecido. Pelo menos no que se refere à intenção de conhecer as novidades para então prospectar uma renovação do maquinário.
Felipe Dykstra, gerente comercial da região Sul na New Holland, percebe que o contexto dos produtores gaúchos tem se refletido no movimento da feira — na sua avaliação, um pouco menor do que nos outros anos. O gerente diz que o movimento deve se concretizar no volume de negócios efetivados de fato.
Ainda assim, Dykstra vê as feiras como oportunidade de mostrar não só o que o mercado oferece, mas também as condições para tornar os negócios possíveis. Entre os atrativos nesta frente, a fabricante oferece planos com dois anos de garantia de manutenção:
É um custo a menos para o produtor que pode gerar economia de até R$ 35 mil a depender do modelo da colheitadeira, por exemplo.
FELIPE DYKSTRA
Gerente comercial da região Sul na New Holland

O gerente comercial da John Deere, Marcos Cassol, reforça a intenção da indústria de apostar no produtor gaúcho, mesmo com as dificuldades financeiras em jogo. Segundo o gerente, há uma percepção de que o cenário está começando a mudar. A safra de verão este ano já deve ser melhor do que a do ano passado, segundo estimativas atualizadas da Emater.
Vemos que está mudando um pouco ânimo. O Rio Grande do Sul vem de cinco anos muito ruins. O setor está mostrando uma mudança, mas leva um tempo para que o produtor volte a ter aquele "período de bonança" que já teve no passado.
MARCOS CASSOL
Gerente comercial da John Deere
Kellen Bormann, diretora de vendas da Massey Ferguson, reforça que a estratégia de vendas passa por entender a realidade dos agricultores e de oferecer as melhores alternativas.
— Os negócios que aparecem aqui são de produtores mais cautelosos. Tem a cautela de entender a conta, mas não que ele vai deixar de investir. O que temos que observar é como nos tornar parceiros nisso. Oferecendo solução financeira, solução em produto e em tecnologia — diz a diretora de vendas.



