
Ao contrário das expectativas de safra cheia projetadas no início da temporada, o Rio Grande do Sul se prepara para colher outra frustração neste verão. Em estimativa apresentada nesta terça-feira (10) na Expodireto, em Não-Me-Toque, a Emater atualizou os dados e agora considera uma perda de 11,3% na soja, o principal produto da agricultura gaúcha.
São esperadas pouco mais de 19 milhões de toneladas colhidas da oleaginosa, abaixo dos 21,4 milhões de toneladas inicialmente calculados. O dado até aqui, contudo, é positivo diante do contexto: em 2025, a safra totalizou 13,2 milhões de toneladas do grão.
Para a produção total da safra, considerando os demais grãos cultivados na estação, a Emater projeta redução de 7,1% em relação ao que foi inicialmente projetado. No ano passado, foram 26,4 milhões de toneladas colhidas na temporada.
Claudinei Baldissera, presidente da Emater, ressalta que os dados apresentados mostram melhora em relação à colheita passada, quando os efeitos do clima sobre a produção agrícola foram ainda mais severos. No entanto, os danos seguem persistentes, o que novamente alerta para o impacto econômico tanto no PIB do Rio Grande do Sul quanto nas contas dos produtores gaúchos.

As perdas estão relacionadas à estiagem, que outra vez causa prejuízos. Assim como no ano passado, a falta de chuva atinge as lavouras de forma irregular, causando diferença de safra entre as região produtoras. A escassez hídrica no mês de janeiro, associada às altas temperaturas, foi crucial para a produção.
As regiões de Santa Rosa (-27%) e de Frederico Westphalen (-13,4%), no Noroeste, registram os maiores percentuais de perdas em produtividade, que é o quanto se produz por hectare, até aqui.
Se olharmos a região que está mais afetada, que é a de Santa Rosa, e ampliarmos a análise dentro dessa região, há municípios com áreas que vão de 50% a 60% de queda. Alguns produtores, inclusive, com perdas ainda maiores. O impacto econômico é importantíssimo e vem associado ao momento que os agricultores vivem, de carga de endividamento se acumulando ano a ano.
CLAUDINEI BALDISSERA
Presidente da Emater
Outros grãos
Entre os destaques positivos da temporada, o avanço no milho foi valorizado nos dados. A produção do grão é essencial para a agricultura gaúcha, em especial pela sua relação com a alimentação animal. Regiões de Caxias do Sul, Ijuí e Santa Rosa concentram a maior produção.
Apesar da falta de chuva, os números na cultura são satisfatórios em crescimento de área e em produção, com alta de 3% em volume produzido em relação à primeira estimativa.
— Embora as questões climáticas tenham atingido algumas lavouras, outras tiveram ótimo desenvolvimento. E o que vem é uma posição muito importante para o cultivo do milho, inclusive se comparado ao ano anterior, com aumento expressivo da área cultivada — disse Baldissera.
O arroz, em razão da menor área plantada, registra produção menor nesta safra. A desvalorização nos preços do cereal levou os produtos a apostarem menos na cultura este ano, de forma a equilibrar a oferta no mercado.
Dificuldades lembradas

Anfitrião da feira, o presidente da Expodireto, Nei Manica, e o vice-governador do Estado, Gabriel Souza, acompanharam a divulgação dos números da Emater. Os secretários da Agricultura, Edivilson Brum, e do Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, também estiveram na coletiva.
Nos discursos, as autoridades voltaram a mencionar a necessidade de amparo aos produtores, que lidam com o endividamento acumulado pelas perdas nas últimas safras. O tema tem sido uma das principais bandeiras debatidas na 26ª edição da feira.
— Precisamos imediatamente resolver isso e é difícil falar de outra coisa enquanto não se resolve o endividamento — disse o vice-governador, mencionando a agenda que o Estado terá amanhã, em Brasília, sobre o tema.
Souza ainda falou da necessidade de se preparar a agricultura gaúcha para o futuro, de modo a não mais deixar a produção tão suscetível a efeitos do clima.



