
Referência em tecnologia para o agronegócio, a 26ª edição da Expodireto Cotrijal foi aberta nesta segunda-feira (9), em Não-Me-Toque, no norte do Rio Grande do Sul. Sem a presença do governador Eduardo Leite, representado pelo vice Gabriel Souza, e de ministros, a abertura foi marcada por reivindicações do setor e destaque às inovações voltadas ao campo.
— A Expodireto se tornou, ao longo dos anos, com foco muito claro, uma feira de tecnologia e inovação. Mas também se tornou isso que vemos agora, um espaço de reunir autoridades para ouvir todas as demandas que o setor tem. Estamos juntos para buscar soluções — disse Nei Manica, o presidente da Cotrijal, cooperativa que realiza a feira.
Esta foi a terceira vez em 26 edições que a cerimônia de abertura não contou a presença de um representante do governo federal. Em 2025, as ausências de Carlos Fávaro, da Agricultura, e de Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, já haviam sido sentidas. Em 2022, a então ministra da Agricultura Tereza Cristina também não compareceu.
Manica minimizou a falta dos representantes este ano:
— O governador Eduardo Leite justificou que está em São Paulo e que estará presente aqui amanhã (terça-feira, 10). E as autoridades federais já não vieram no ano passado e não vieram também este ano. Mas a Expodireto tem uma grandeza internacional e o importante é quem está aqui participando — disse Manica.

"Luto pelo agro"
Tradicional palco de reivindicações do setor agropecuário, a abertura da feira também teve protestos. Agricultores vindos de diversas regiões do Estado se reuniram no entorno do parque antes mesmo da abertura oficial dos portões. Entre as pautas, os produtores pedem uma solução para o endividamento rural, acumulado por danos em safras passadas, e contestam a cobranças de royalties da soja por empresas de biotecnologia, entre outros temas.
Dentro do parque, os manifestantes passaram pelos estandes de empresas de sementes e instituições financeiras. Carregando cruzes e vestindo camisetas estampadas com os dizeres “luto pelo agro”, eles entregaram coroas de flores nos estandes de bancos públicos como Banco do Brasil e Banrisul, e do Sicredi.

O produtor Neri Borghardt, 63 anos, partiu “em cortejo” de localidade próxima ao município vizinho de Vitor Graeff em direção ao parque da Expodireto. Junto aos demais agricultores, criticou a cobrança royalties pelas fabricantes de sementes e cobrou ações de socorro aos produtores gaúchos:
— Não estamos pedindo nada de graça. Queremos pagar a dívida, mas queremos condições para isso, que são juro e prazo adequados. Esperamos por isso, porque não vamos parar.
No ato, os produtores não chegaram a mencionar as dificuldades relatadas em relação à restrição de acesso ao diesel nas propriedades rurais, como consequência do conflito eclodido no Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã. O entrave no combustível vem sendo alertado pelas instituições representativas do setor, como a Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
Os atos foram realizados em tom pacífico e ganharam apoio da organização da feira. Os manifestantes foram aplaudidos pelo caminho.
São demandas importantes que serão debatidas também ao longo da feira e estaremos junto com as entidades encaminhando todos os pleitos aos governos federais e estaduais.
NEI MANICA
Presidente da Cotrijal
O vice-governador Gabriel Souza saudou a presença dos agricultores e falou da necessidade de se insistir na securitização das dívidas, de forma a viabilizar o agronegócio.
— Não é bom para o Brasil deixar o Rio Grande do Sul sem condições de plantar e colher — disse Souza, mencionando a relevância da produção gaúcha para a economia brasileira, os problemas com as intempéries climáticas e cobrando a ausência do governo federal.
Desafios às vendas
Um cenário desafiador aos negócios deve marcar o tom da feira deste ano. O endividamento dos agricultores, acumulados por seca e enchente, somado a uma nova estiagem que se coloca no campo, com perdas já consolidadas em algumas regiões, limita as expectativas de vendas das grandes montadoras de máquinas.
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), corroborados pelo Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), ajudam a puxar o freio nas estimativas. A indústria projeta retração de 5% no setor de máquinas ao longo deste ano.
Contudo, as inovações adaptadas ao contexto do produtor e as modalidades diversas de financiamento devem atrair os produtores pela oportunidade de investimento.
— As empresas sabem que vivemos momentos difíceis. Mas são nas crises que se criam as oportunidades e estamos aqui justamente para buscar estas soluções — destacou Manica.
A feira
- Até a próxima sexta-feira (13), a 26ª Expodireto vai reunir em Não-Me-Toque, no norte do Estado, mais de 610 expositores e representantes de 70 países.
- Feira modelo em tecnologia para o setor rural no Brasil e na América Latina, a feira apresenta inovações em máquinas agrícolas, sementes e até inteligência artificial focada para o setor agropecuário.
- A expectativa é receber 300 mil visitantes ao longo dos cinco dias de evento.

