
Mais importante feira de tecnologias para o agronegócio no Brasil e na América Latina, a Expodireto Cotrijal se prepara para a largada na segunda-feira (9) num cenário já conhecido dos gaúchos, de endividamento e estiagem entre os desafios da edição. A expectativa é de que o momento conjuntural não emperre os negócios, sobretudo pelo que a feira representa, mas que apresente alternativas de investimentos aos agricultores.
De 9 a 13 de março, a 26ª Expodireto vai reunir em Não-Me-Toque, no norte do Estado, mais de 550 expositores e representantes de 70 países. A expectativa é receber 300 mil visitantes ao longo dos cinco dias de evento.
Presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do RS (Simers) e da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Cláudio Bier reconhece que o momento é de dificuldades para o setor. O Rio Grande do Sul concentra cerca de 60% do parque industrial brasileiro de máquinas agrícolas, segmento que é essencial para a competitividade do agronegócio.
Apesar de o Brasil como um todo se destacar por recordes de safra, a regionalização do dado pesa na conta. No Rio Grande do Sul, o endividamento dos agricultores por safras passadas e uma nova estiagem no campo, com perdas já consolidadas em algumas regiões, limitam as expectativas. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), corroborados pelo Simers, ajudam a puxar o freio: a indústria já estima retração de 5% no setor de máquinas ao longo deste ano.
— O setor está atravessando uma fase difícil, com seca e produção já comprometida em algumas áreas, além de juros que continuam altos e de questões muito sérias nos custos. Os produtores compraram os insumos com o dólar muito alto, depois a moeda baixou, e o preço das commodities também — contextualiza o dirigente.
Levantamento da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgado na largada do ano mostrou que o endividamento rural cresceu 71% de julho de 2024 a novembro de 2025, passando de R$ 72,2 bilhões para R$ 123,6 bilhões no Brasil. A cifra considera pagamentos em atraso, em inadimplência, prorrogados ou renegociados.
Ainda assim, diz Bier, a Expodireto é uma grande ferramenta de vendas, então espera-se que seja uma boa feira, pela necessidade natural dos produtores de renovar as frotas. O presidente não faz estimativas, lembrando que em 2025 a própria feira já optou por não divulgar um balanço final de negociações.
É a feira mais organizada e moderna no Brasil, e isso, sem dúvida, é uma ferramenta de vendas por si só. É o que o nos deixa esperançosos. Veja bem: não otimistas, esperançosos.
CLÁUDIO BIER
Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs)
Apesar da incerteza diante do tamanho da safra que será colhida e das dívidas passadas que ainda precisam ser pagas, os produtores têm intenção de investir. Em muitos casos, a renovação da frota vem sendo adiada há muito tempo, o que encarece os custos com manutenção, lembra o economista chefe da Farsul, Antônio da Luz.
Da parte da indústria, há o esforço de fazer a tecnologia caber no bolso do produtor. Inovações direcionadas a máquinas de menor porte ou mesmo de melhorias à frota já existente, como os motores remanufaturados, estão entre as alternativas que serão apresentadas pelas montadoras.
— Depois de tantos anos com um nível de investimento tão baixo, chega uma hora em que se tem que fazer algum investimento, por conta do custo de manutenção ficar mais alto do que a própria parcela. Então, sem dúvida, os produtores têm apetite para fazer investimento — diz o economista Antônio da Luz.
Em outro nível econômico e geográfico, há os produtores de outras regiões do Brasil que desembarcam em Não-Me-Toque para conhecer tecnologias. Para o público mais capitalizado, a exposição é oportunidade de excelentes negócios.
— O produtor de outros Estados seguramente chega na feira com um apetite bem maior que o do produtor do Rio Grande do Sul — comenta da Luz, lembrando que o Brasil teve em 2025 uma safra recorde de mais de 350 milhões de toneladas colhidas.





