
Confirmando os indicativos de um cenário desafiador para os negócios, a Expodireto Cotrijal chega ao fim da sua 26ª edição em Não-Me-Toque, no norte do Estado, com a cautela dos produtores dando o tom da feira. O endividamento rural em alta e as incertezas quanto ao resultado final da colheita acabaram segurando a concretização das compras.
A organização da Expodireto não mais divulga o balanço final de vendas da feira, mas o diagnóstico de pé no freio está nas percepções do setor. Ainda assim, mesmo com uma concretização menor de negócios, a avaliação é de que o produtor gaúcho segue buscando o ambiente das feiras para conhecer tecnologia de ponta, buscar informação e fazer contatos.
Presidente da Cotrijal, cooperativa que realiza a feira, Nei Manica diz que a Expodireto encerra a edição de 2026 cumprindo o seu papel de capacitar os agricultores. Quanto aos negócios, percebe que o termômetro varia dependendo do setor.
— Tem setores que superaram todas as expectativas e tem setores que não comercializaram o mesmo volume do ano passado. É lógico que temos que entender o momento do produtor. Não tem muito espaço para que se faça novos investimentos, porque primeiro é preciso resolver o passivo. O produtor está bastante cauteloso e este momento é compreensível, as empresas sabem disso — avalia Manica.
O pé no freio se refletiu no público que compareceu ao parque da Expodireto ao longo dos cinco dias de feira. Para Manica, a presença menor de visitantes também condiz com o contexto que vive o setor produtivo gaúcho.
Lançamentos de ponta

Na ala das máquinas agrícolas, principal atração da Expodireto, as indústrias buscaram atrair negócios oferecendo alternativas de investimento aos produtores. A feira é referência em tecnologia e inovação para o setor, e muitas das novidades no ramo são apresentadas no espaço.
Vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), Carolina Rossato concorda que o ano tem sido mais difícil para o agronegócio, em diversos segmentos. Contudo, reforça que as feiras têm papel fundamental na aproximação com os produtores e na exibição de lançamentos em tecnologia.
— Anos difíceis a gente sempre viveu. Mas também não é um ano negativo. Nossos clientes nos visitaram e trouxemos uma qualidade de máquinas que vários países da Europa não produzem para o pequeno e o grande produtor — diz Carolina.
Em reunião setorial realizada na feira, a Abimaq divulgou novo balanço do mercado de máquinas. O faturamento do setor caiu 7% nos últimos seis meses, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Em janeiro de 2026, reduziu caiu 15,6%, indicando um cenário mais desafiador. A alta inadimplência, a dificuldade de acesso ao crédito, os juros altos e os preços das commodities em queda explicam o declínio de mercado. A expectativa para o faturamento do ano é uma queda de 8% em 2026.
Agricultura familiar mantém sucesso

Espaço querido de público em qualquer feira agropecuária, o tradicional Pavilhão da Agricultura Familiar da Expodireto repetiu o sucesso das últimas edições. Se não em volume vendido, pelo menos em preferência dos visitantes.
Responsável pelo pavilhão, o assessor de Política Agrícola e Agroindústria da Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag-RS), Jocimar Rabaioli destacou a importância do espaço enquanto vitrine das agroindústrias gaúchas. Ainda sem os números finais, a previsão é de que o total comercializado nos estandes fique próximo ao de edições anteriores.
— Nossa avaliação é muito positiva. As vendas foram boas e acreditamos que foram vendas muito próximas das últimas edições. O mais importante é poder estar aqui nesta vitrine, que é uma grande oportunidade para a agricultura familiar — diz Rabaioli.
