
Dando continuidade às comemorações dos seus 50 anos, celebrados em 2026, o Projeto Pescar apresentou nesta terça-feira (7) um panorama completo, em dados, do impacto na formação de jovens a partir do programa de compromisso social. Em cinco décadas de atuação, mais de 41 mil jovens já passaram pela metodologia aplicada pela fundação, com larga aposta nas trajetórias profissionais.
Os dados foram apresentados por Fernando de Bezerra Lollo, pesquisador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Educação e Economia Social (Lepes) da Universidade de São Paulo (USP). Conforme a pesquisa, dois em cada três dos egressos do Pescar estão inseridos no mercado de trabalho (67,4%), sendo 41,6% deles profissionais com carteira assinada.
A pesquisa também mostra que, no recorte de 2018 a 2024, nove em cada 10 egressos conseguiram seus empregos por conta do projeto após a conclusão dos cursos. O resultado, segundo os especialistas, revela a mudança positiva nas realidades socioeconômicas das famílias a partir da inserção no mercado de trabalho.
O estudo ouviu 3.369 jovens e acompanha 594 deles, prioritariamente oriundos de turmas de 2018 a 2024, que passaram pelas formações gratuitas.
Dados como a escolaridade da mãe permitem ver que os egressos do Pescar vêm de um contexto social de maiores dificuldades. E aí vem a virada: a geração seguinte mostra índices de escolaridade já acima da geração anterior (7%), refletindo uma evolução educacional, chegando a 14,31% dos jovens com Ensino Superior completo.
Conforme o pesquisador da USP, isso mostra como as oportunidades de estudo melhoram a condição de vida dos indivíduos dentro também de suas próprias casas, reforçando um ciclo virtuoso nas famílias brasileiras.
Presidente da diretoria voluntária da Fundação Projeto Pescar, Adriana Loiferman celebrou os resultados da pesquisa como o trunfo da formação socio profissionalizante.
É muito importante ter evidências de que a metodologia funciona. Conseguimos verificar que os jovens egressos conseguem aumentar a inserção deles no mundo do trabalho. E aqui estamos falando de jovens em vulnerabilidade social, que teriam muita dificuldade de entrar no mercado.
ADRIANA LOIFERMAN
Presidente da diretoria voluntária da Fundação Projeto Pescar
Criado em 1976 pelo empresário gaúcho já falecido Geraldo Linck, o projeto oferece cursos de formação gratuitos para jovens em situação de vulnerabilidade social. Com as informações da pesquisa, diz Adriana, será possível tornar o projeto mais conhecido e prospectar mais parceiros para as iniciativas do Pescar.
Outros dados da pesquisa
- R$ 2.488,44 é a remuneração média dos egressos do Pescar
- Depois de sete anos de conclusão do projeto, um egresso ganha 42% a mais que um indivíduo da mesma idade que não teve a chance de passar pelo Projeto
- Para cada R$ 100,00 que um jovem brasileiro ganha no mundo do trabalho, um egresso do Pescar recebe R$ 133,00
- Metade das mães pelos egressos não terminaram a educação básica. Já 75,6% de seus filhos concluem o ensino médio
- Dos que trabalham, mais de 90% estão no mercado formal
- O perfil do egresso de 2018 a 2024 sugere uma melhora importante no status socioeconômico das famílias
- Egressos do Pescar encontram um mercado de trabalho mais amigável
- Além das remunerações mais elevados, os jovens têm acesso a postos de trabalho de maior qualidade
O Projeto Pescar
- O Projeto Pescar está presente em 40 cidades de 12 Estados brasileiros. São 67 unidades Pescar ativas em três países.
- Em 2025, foram 1.791 jovens atendidos, e 41.239 desde a sua criação.
- A Fundação oferece oportunidades para jovens entre 16 e 19 anos ingressarem no mercado de trabalho por meio de formação gratuita, com ênfase no desenvolvimento emocional.
- O modelo já serviu de inspiração para outros países com realidades sociais semelhantes à do Brasil, como Argentina, Angola e Paraguai.
Como fazer parte
- Para concorrer às vagas, basta entrar no site da Fundação e fazer a inscrição. É preciso preencher os pré-requisitos, como idade entre 16 e 19 anos.
- Também é preciso ter renda per capta de no máximo meio salário mínimo.
- O candidato não pode ter tido experiência de trabalho formal prévia.
- Os cursos são totalmente gratuitos e há apoio com passagens, alimentação e uniforme.
- Em Porto Alegre, a fundação tem sede no Shopping Total, empreendimento mantenedor e apoiador do projeto.


