
Realizada entre 11 e 13 de janeiro, em Nova York, nos Estados Unidos, a última edição da NRF reuniu especialistas de todo mundo para debater as principais tendências do varejo para 2026. Sempre atento às novas demandas do mercado, o Sebrae RS levou uma comitiva de 50 pessoas (incluindo empreendedores, dirigentes de entidades do setor e especialistas) para conhecer de perto e identificar novas estratégias aplicáveis aos pequenos negócios do Rio Grande do Sul.
– A NRF é o maior evento de varejo do mundo. É onde tendências relacionadas a boas práticas e ao comportamento do consumidor são antecipadas. Ali, os principais debates sobre o futuro do setor acontecem com profissionais, consultores e líderes de negócios. Tudo isso em um ambiente privilegiado para delinear estratégias com maiores chances de êxito para o próximo ano – conta o especialista em varejo no Sebrae RS, Fabiano Zortéa.
Entre as tendências debatidas durante o evento, destaca-se a reinvenção das lojas físicas, que consiste em transformá-las em locais de permanência. Marcas como Uniqlo, Aritzia e Longchamp já apostaram em cafés e espaços de convivência para aumentar o tempo de permanência dos clientes em seus estabelecimentos, potencializando oportunidades de criar vínculos, explorar possibilidades e impactar decisões de compra.
A ideia está diretamente relacionada a outro conceito muito presente nas palestras e nos workshops da NRF: o terceiro lugar. Hoje, entende-se que a casa é o primeiro lugar da vida do consumidor, o trabalho é o segundo e o terceiro é onde a pessoa escolhe estar. Oferecer experiências relevantes que vão além da venda de produtos, como iniciativas ligadas à cultura, ao entretenimento e ao bem-estar, pode ser a chave para posicionar o varejo nesse espaço.
– É preciso qualificar a abordagem de acordo com o estilo de vida do público. Nos últimos tempos, as pessoas estão muito aceleradas. Portanto, desacelerá-las pode ser uma ótima alternativa para conquistar mais tempo de atenção. Ao promover a permanência na loja, o negócio amplia suas possibilidades de vendas – afirma Zortéa.
As estratégias voltadas à transformação dos espaços físicos também estão alinhadas à necessidade de atender às demandas da Geração Z, que se mostra saturada dos excessos digitais e apresenta dificuldades para criar conexões com marcas em ambientes online. Trata-se de um público que valoriza espaços que provem descoberta, troca e orientação real.
Diante desse cenário, observa-se marcas globais investindo no conceito de sensorial reset, que propõe valorizar experiências sensoriais que apenas os ambientes físicos podem proporcionar. Entre elas, destacam-se ações que exploram cheiros, sabores, texturas e o contato direto com os produtos.
IA como infraestrutura
Outro ponto alto do evento de 2026 foi o debate sobre inteligência artificial. A tecnologia deixou de ser encarada como uma solução futurista para se consolidar como uma ferramenta voltada à infraestrutura das operações de varejo. Com isso, a expectativa é de que a IA ganhe mais relevância nos bastidores, sem ocupar necessariamente o papel de protagonista.
– A NRF foi muito pé no chão, especialmente em relação à inteligência artificial. Tivemos muito menos hype e muito mais aplicação, olhando para a tecnologia como uma infraestrutura de varejo, capaz de apoiar objetivos como otimização de estoques, amplificação da produção de conteúdo e qualificação do relacionamento com o cliente de forma mais personalizada e próxima. Foi uma visão mais equilibrada, já que a IA deixou de ser vista como algo que todos precisam adotar e passou a ser compreendida como uma ferramenta que as marcas precisam entender por que e como utilizar. A partir disso, é possível obter ganhos de produtividade, eficiência operacional e vantagens em outras áreas – finaliza o especialista em varejo no Sebrae RS.

