
O Rio Grande do Sul está se consolidando como um polo de desenvolvimento de tecnologias para o saneamento brasileiro.
A mais nova iniciativa dessa estratégia é um equipamento inédito, desenvolvido pela Corsan em parceria com a empresa gaúcha Masal Indústria e Comércio, que reúne em uma única plataforma múltiplas ferramentas utilizadas nas obras de implantação e manutenção das redes de água e esgoto.
Em fase de testes na Região Metropolitana de Porto Alegre, a iniciativa busca ampliar a produtividade das equipes, reduzir deslocamentos e minimizar os impactos das obras nas cidades e no meio ambiente.
A tecnologia faz parte da estratégia da Companhia para acelerar intervenções nos sistemas de água e esgoto, antecipando os benefícios do saneamento à população. Desde o início da operação, em 2023, a cobertura de coleta e tratamento de esgoto no Estado avançou de 19% para cerca de 30%.
O programa está entre os maiores projetos de expansão do saneamento já realizados no Estado e demanda ganhos contínuos de produtividade para cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento — que deve ser alcançada até 2033.
Para isso, a Corsan combina investimentos em obras, inovação e tecnologia, com foco na industrialização de processos, redução de prazos e ampliação da capacidade de execução.
Para o diretor de Operações da Corsan, José João da Fonseca, o maior desafio não é apenas construir obras, mas desenvolvê-las melhor e mais rápido.
— Cada inovação que reduz o tempo de execução, melhora a qualidade dos serviços e diminui os impactos das intervenções amplia nossa capacidade de levar o saneamento a mais pessoas. Ao mesmo tempo, estamos desenvolvendo no Rio Grande do Sul tecnologias que podem servir de referência para todo o país — afirma.
Sobre rodas
Instalado sobre uma carreta, o equipamento multifuncional reúne em uma única estrutura ferramentas que normalmente são transportadas separadamente.
A solução permite que uma mesma equipe execute diferentes etapas do serviço em um único deslocamento, aumentando a produtividade e reduzindo o tempo de interdição das vias.
A estrutura conta com retroescavadeira, caçamba articulada com compartimentos independentes e quatro conexões pneumáticas para operação simultânea de equipamentos como compactador, cortador de asfalto, soprador e prancha para movimentação de materiais.
Desenvolvido por equipes da Corsan e da Masal, o projeto está em fase de validação operacional. Após a conclusão dos testes, a expectativa é produzir entre 100 e 150 unidades para uso nas operações da Companhia.
A solução poderá ser adotada pelas demais concessionárias do Grupo Aegea, ampliando uma inovação criada no Rio Grande do Sul para operações presentes em 15 estados e mais de 890 municípios brasileiros.
Alcance nacional
Para o presidente da Masal, Cláudio Bier, a parceria representa a oportunidade de desenvolver um equipamento inédito a partir das necessidades reais da operação de saneamento.
Ele acredita que, quando a indústria e o setor de infraestrutura trabalham juntos, a inovação deixa de ser um conceito e passa a gerar resultados concretos.
— Este equipamento reúne engenharia, tecnologia e conhecimento produzidos no Rio Grande do Sul. O fato de essa solução poder ser adotada futuramente pelas operações da Aegea em 15 estados brasileiros demonstra a capacidade da indústria gaúcha de desenvolver soluções competitivas, gerar valor para o país e abrir novos mercados a partir da inovação — defende Bier.
Para a Corsan, a iniciativa representa uma forma de tornar as obras mais eficientes e, ao mesmo tempo, abrir caminho para que uma tecnologia desenvolvida no Rio Grande do Sul ganhe escala nacional.
Segundo a presidente da empresa, Samanta Takimi, a companhia tem compromisso com a universalização do saneamento e, para cumprir esse desafio, precisa inovar de forma contínua.
— O Rio Grande do Sul reúne uma indústria com capacidade técnica para desenvolver soluções de alto valor agregado. Queremos ampliar essas parcerias, transformando conhecimento e tecnologia em obras executadas com mais rapidez, eficiência e qualidade, beneficiando não apenas a população do Estado, mas também outras regiões do país — destaca.
Os investimentos em saneamento geram impactos que vão além da infraestrutura. Ao acelerar a universalização dos serviços, antecipam benefícios em saúde e qualidade de vida, contribuem para a preservação de rios e mananciais e impulsionam o desenvolvimento de soluções mais eficientes e sustentáveis.
Com isso, tecnologias desenvolvidas no Rio Grande do Sul ganham potencial para serem replicadas em outras regiões do país.





